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Wednesday, May 19, 2021

[ Medusa ]


POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=7HjaGF5TLNI

 Medusa, filha de Phorcys e Ceto, era uma das três Górgonas…

… havia sido agraciada com uma beleza extasiante…

assim que os olhos de homens ou mulheres contemplavam Medusa, os seus corpos experimentavam um momento de petrificação contemplativa… A beleza de Medusa, nos primeiros instantes em que era contemplada, esvaía por momentos a vida dos corpos que a observavam.

Dos vários aspectos constituintes da sua formosura, um se destacava claramente… O seu deslumbrante cabelo.

Medusa dedicava-lhe cuidados demorados, e isso era evidente. O delicado volume sedoso que emoldurava o seu rosto, deslizando suavemente pelos ombros até meio das suas costas e peito, tinha uma cor definível entre o ruivo e o acastanhado, e a incidência de luz originava invariavelmente, brilhos acobreados e vários matizes de cor… 

Vê-la iluminada pela luz da ala principal do templo, onde passava a maior parte do seu tempo, era nada menos que hipnotizante.


Atena, a deusa… era atormentada por uma inveja obsessiva induzida pela beleza de Medusa, e em particular pelo lindo cabelo desta sua serva.


Diz-se que num certo dia, Poseidon, Senhor dos Mares, ao observar Medusa, sózinha, desempenhando as suas habituais tarefas votivas, terá por ela sentido um desejo incontrolável, e à força, tê-la-á tomado num envolvimento físico contrário à vontade desta.


Atena, apesar de não estar corpóreamente no local nesse momento… era um espírito omnipresente no seu templo. Ela sabia de tudo.

Viu então no desrespeito devocional dos actos ocorridos em tão sagrado espaço, o motivo para finalmente descarregar em Medusa todo o enorme azedume acumulado pela sua alma, ao longo de eras de inveja.

Mesmo sabendo que Medusa havia sido apenas mais uma vítima da monstruosa voracidade de Poseidon, considerou-a culpável por… 


…no fundo por nada mais do que pela irresistibilidade da sua beleza.


Num ímpeto de ira decidiu amaldiçoá-la para todo o sempre.

Se a sua beleza havia até aí causado prostração a quem a contemplava… a partir daí, causaria autenticamente a petrificação do observador. Quem olhasse para Medusa converter-se-ia instantaneamente numa estátua de pedra…

Se o seu maravilhoso cabelo tinha até aí sido alvo de veneração própria, e alheia… a partir daí, seria motivo de horror para toda e qualquer criatura que o visse. Cada mecha de cabelo se transfigurou nesse momento numa serpente venenosa, em disputa hostil e constante com as suas vizinhas…

A existência de previlégio que até aí Medusa havia levado, embebida no facto de ser o centro da admiração dos outros,  converteu-se a partir desse momento, num sofrimento inextinguível e permanente.


Perseu era um semi-deus a quem foi feito um pedido macabro. 

Este é o momento da história que nos conduz à minha ilustração, acima apresentada.

Estando Medusa ainda grávida de Poseidon, foi exigido a Perseu que a decapitasse.

Para tal, Perseu muniu-se de artifícios e manhas, e com muita coragem, foi à procura de Medusa.


Levava na bainha uma poderosa espada de gume curvo, cujo desenho era famoso na antiguidade pelo seu corte exímio.

Ao chegar à antecâmara posou o armamento, e, do saco de couro de veado montês, retirou o seu ipod classic 120 GB,  de 6ª geração, e as 2 pequenas colunas autoalimentadas, as quais colocou simetricamente dispostas em relação ao eixo central da porta de entrada. 

Após desbloquear o aparelho, através do botão de segurança presente no topo do mesmo, deslizou o indicador direito em sentido contra-horário alcançando a playlist que pretendia para emoldurar musicalmente o momento que se seguiria.

Tratava-se do albúm “Miserere” de Arvo Pärt. Perseu queria exactamente a primeira faixa, por isso, uma vez encontrada a playlist, bastou premir o pequeno círculo central… 

…play… 

A banda sonora daqueles que poderiam ser os últimos momentos da sua vida, estava escolhida, e ecoava já pelas divisões abóbadadas.

Alguns breves preparativos mantiveram-no na antecâmara ainda por 2:07 min…


Avançando pé ante pé, Perseu entrou finalmente na área principal. A luminosidade era reduzidíssima. Apenas duas lamparinas de azeite mediterrânico produziam chama, e isso era claramente insuficiente para tão difícil tarefa… Progredir de costas voltadas para a zona onde esperava defrontar a sua adversária, guiando-se apenas pelo reflexo esbatido daquela obscura realidade, numa pouco espelhada superfície metálica, produzida com outro fim que não o de devolver imagens a um qualquer observador.

Conseguiu assim, lentamente, chegar ao fundo da grande sala, e, vislumbrar o movimento lateral de um vulto que se deslocou a partir de um canto escuro daquele espaço.

Perseu estranhou a velocidade que sentiu nesse movimento… Demasiado lento para um ataque, mas ainda assim suficientemente rápido para merecer toda a sua atenção e agilidade de resposta.

O indicador de tempo decorrido na faixa em reprodução no seu iPod, o qual havia por si sido depositado à entrada da antecâmara, marcava então 5:52…

Foi por instinto que Perseu se virou num ápice, mas conseguindo ainda assim que as emoções do momento não lhe toldassem o raciocínio, fechou imediatamente os olhos para não encarar o vulto que se lhe opunha. Na continuidade desse movimento brusco desferiu um golpe decepante… levando a Medusa o fim do seu martírio existencial.


A amaldiçoada figura não se debateu… Em Perseu ficou a sensação de que Medusa acolhera a morte como uma dádiva libertadora.

Aquela outrora bela cabeça caiu no chão, logo seguida do seu corpo… 

Medusa estaria agora livre para ser bela novamente…

Já no chão, os seus viperinos cabelos mantinham vida própria e continuavam a exibir o vigor e a agressividade que lhes era conhecido. Os olhos de Medusa permaneciam abertos, contemplando o seu carrasco.


Este é o momento que registo no meu desenho…


Wednesday, April 14, 2021

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Maria Ciência Brito Gama da Fonseca

Meireles espetou o dedo no ar e disse:

- Eu quero!

"

Sunday, April 11, 2021

[ Não…não "Vai Ficar Tudo Bem" ]

 

Logo no início desta famigerada fase das nossas vidas, tornou-se evidente que: 

… não… não "Vai Ficar Tudo Bem."

Muito rapidamente a chocante negação do pseudo-lema de resistência (Vai Ficar Tudo Bem) começou a aparecer escarrapachada nos jornais. Ficou-me gravada a realidade de uma família, apresentada numa notícia do Público, em que uma senhora perdera, num curto espaço de tempo, marido, pai e irmão… Os três, sugados pelo vórtice Covidiano, que, uma vez tocados os pulmões das vítimas condenadas, absorve a materialidade dos seus corpos, não mais deixando os seus entes queridos verem as suas feições, agarrarem as suas mãos, ouvirem as suas vozes… dizerem-lhes adeus. Dos hospitais saindo depois… já em caixões selados.

Um ano e quase meio passado sobre o início desta pandemia, cresceram de forma esmagadora os números das famílias destroçadas pela morte dos seus, e somaram-se os números negros emanados por vários parâmetros da vida das pessoas: milhões de empregos irrecuperavelmente destruídos, negócios de vida levados à ruína, muitas famílias sem casa, muita gente atirada para a rua, e muitas, muitas bocas com fome…

Para tanta gente, nunca mais Nada Vai Ficar Bem…

Apesar dos contornos grotescos desta realidade que se estende mundo fora, sem olhar a fronteiras, geográficas ou económicas, ainda é possível encontrar janelas que ostentam o tal conjunto composto por arco-íris + frase. 

É para mim evidente que na origem da simbólica iniciativa, estava um sentimento positivo, e a intenção de construção de uma postura de resistência, focada na superação solidária da adversidade comum. Mas… parece-me igualmente evidente que os contornos da calamidade rapidamente permitiam deduzir que a repetição insistente desse mote, seria nada menos do que insuportavelmente dolorosa para tantos que iam gradualmente sendo afogados em desgraça. 

No atribulado mar que navegamos, os quadros depressivos mutilam muitas pessoas, e por arrasto, muitas famílias. É esse o contexto desta ilustração que teve como cliente final a Angelini.

Dada a duração desta travessia teremos agora todos amplas possibilidades de dar largas aos manifestos de positivismo. Desta vez, não com arco-íris nas janelas… mas sim nas verdadeiras redes sociais. Naquelas redes sociais físicas, compostas por pessoas em vez de ecrãs, mãos em vez de teclados… alimentadas por acções reais em vez de manifestos virtuais, e que têm num extremo a necessidade, e no outro a solidariedade… para que tudo fique Um Pouco Menos Mal.

Wednesday, February 17, 2021

[ Nova vida ao Tinhoso… ]





Os dias GORDOS já lá vão… felizmente.

Chegaram sem dizer olá, e partiram sem se despedir, não deixando saudades… A boa educação não abunda.

Mas ainda vou a tempo de aludir ao Capeta, através de uma mui sentida homenagem ilustrada aos Caretos de Podence, maravilhosas figuras da cultura popular de Trás-os-montes.

Há alguns anos, como já referi nas páginas passadas deste blog, tive a oportunidade de criar para um manual de Português (diálogos _ 9) da Porto Editora, ilustrações para algumas das personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Uma das que mais gozo me deu trabalhar foi a do Tinhoso, o Capeta, o Belzebu, o Chifrudo… Capitão e Timoneiro do “Batel Infernal”…

Imaginei-lhe as características em alusão à figura dos tais “caretos”…

Hoje publiquei na minha conta de Instagram (@rodrigo.prazeres.saias ), uma animação que confere nova vida a essa personagem.

É com muita pena que me resigno à ideia de uma animação não viver muito feliz no blogger… Melhores dias virão.

 

Thursday, December 17, 2020


 O homem macaco voltou a lutar consigo próprio…
… voltou a perder…
Perdeu-se novamente na escuridão da caverna atrás de si…
Ignorou novamente a luz da aurora à sua frente.

Hoje… já não precisará de ir ao ginásio.

Wednesday, December 9, 2020

[ Tributo a #Warpaint ]


Chegou o meu balanço anual de reprodução de música no spotify.
A encabeçar a lista de músicas por mim mais ouvidas durante este fatídico 2020, e admito que sem grande surpresa, está esta música:
Billie Holiday da banda Warpaint.
Um pouco em jeito da personagem a que John Cusack veste a pele (com proeminente distinção… diga-se), no fantástico filme Alta Fidelidade (Stephen Frears, 2020, com argumento de Nick Hornby), também eu sofro da maleita obsessiva de construção de playlists. Num grau menos agudo, é certo, mas ainda assim, com uma gravidade tal que o colapso do meu ipod classic de 120GB, foi para mim nada menos que devastador.
Após esse primeiro grande evento destrutivo, no qual vi perderem-se para sempre, horas e horas de fantásticas playlists criteriosamente construídas, sucederam-se várias tentativas de reconstituição desses belos e coerentes alinhamentos musicais, entremeadas com vários episódios de repetido colapso de disco e sistema operativo do famigerado aparelhinho. Ainda hoje, volvidos aproximadamente oito anos guardo a sua embalagem original, vazia, um pouco em ar de urna para cinzas de cremação. 

Acabo de desviar o olhar ligeiramente para a esquerda do meu ecrã, vendo a dita embalagem, perfilada na minha mesa de trabalho…  : (

No meu disco externo existe desde então uma pasta a que chamei "reconstituição de playlists". Nessa pasta guardo religiosamente print screens dos alinhamentos musicais que construí após o "dia do grande colapso". Graças a este nível metodológico foi-me possível replicar recentemente na minha conta de spotify muitas das minhas conjugações sonoras elaboradas para o defunto ipod.

Conheci Warpaint graças a Paula Moura Pinheiro. Os seus "Câmara Clara" (programa de actualidade cultural, na RTP2 de há uma década) costumavam terminar com uma sugestão discográfica. Num determinado programa de 2010, a sugestão foi o bestial "Undertow". Era nada menos que o novo single da banda. Fiquei imediatamente preso ao ecrã, e, no dia seguinte, adquiri o álbum "The fool". 
Ouvir o tema "Undertow" no meu velhinho sistema Audiolab 8000S+8000SX debitando sound bytes para as também velhinhas Monitor Audio Silver 7, é ainda hoje uma experiência incrível… para ser desfrutada em dedicação exclusiva, sentado equidistantemente entre ambos os altifalantes.
… Uau…

Pois então o tema por mim involuntariamente seleccionado para ser o que mais ouvi no ano de 2020, só emerge como tal, devido á sua inclusão em 2 ou 3 dessas minhas playlists, sendo que, uma delas é por mim seleccionada com grande frequência, por constituir uma banda sonora adequada a som de fundo de variados géneros de ocupação.

Este blog já ostenta algures a frase que nele vou re-inscrever seguidamente:

A música é para mim a arte mais perfeita…

Cedo tive esta ideia formada, e bem presente, e, ouvir música é algo que espero poder fazer até ao último dos meus dias… até mesmo à última das minhas expirações.
A forma como a música modela os nosso estados de espírito é para mim um processo transcendental.
Esse processo frequentemente produz resultados muito intensos, e, não nos pede licença antes de proceder às mudanças que em nós opera.
Pode conduzir-nos rapidamente a estados extremos, e, sucessivamente opostos, ou, por outro lado manter-nos muito prolongadamente num registo constante, indutor de uniformidade.

A fiabilidade reactiva com que determinados aglomerados de sons específicos (leia-se músicas) interagem com a nossa individualidade psicológica e biológica, permite-nos construir playlists intencionalmente vocacionadas para isto ou para aquilo… Música para trabalhar, ler, treinar, desenhar, estudar, correr, conduzir, meditar, adormecer, acordar, etc (a lista é grande e será sempre passível de sofrer novos acrescentos).

Na minha perspectiva, nenhuma das restantes artes é tão eficaz, ou seja, tão poderosa e rapidamente capaz, de, com esta versatilidade, comunicar connosco, modelando tão intensamente os nossos estados de espírito.
Durante muito tempo esta foi para mim uma mera constatação, e a sua explicação nunca foi algo que eu procurasse com grande intensidade.
O que hoje acredito ser a fundamentação desta realidade acabou no entanto por dar à costa da minha consciência muito mais tarde, e, trazida serenamente por outras marés que não a da procura dedicada.

Quando acima referi acreditar que a nossa individualidade psicológica e biológica era consistentemente alterada pela sua exposição a certos encadeamentos sonoros, não o disse em sentido poético ou metafórico. 

O facto de os fenómenos vibratórios produzidos pelo som, serem  condicionadores de várias alterações nos nossos estados mentais é uma evidência já amplamente experimentada por todos nós, através da condução a outros estados mentais (alegria, tristeza, euforia, serenidade, contemplação, etc) diferentes daqueles em que nos encontrávamos anteriormente à audição de uma determinada música.

Essa influência é também bem exemplificada pelas vocalização "Om" e seu respectivo efeito na construção de estados meditativos, ou ainda, noutra área, as vocalização associadas a momentos chave de encadeamentos técnicos em várias artes marciais.

Mas as interacções entre fenómenos sonoros e materialidade física são bem menos subjectivas, e os seus resultado bem mais absolutos.

Uma demonstração extrema desta realidade interactiva entre o domínio material dos nossos organismos e  o universo sonoro consiste no grande leque de procedimentos médicos que tiram partido desta interacção, e que vão desde a realização de exames de diagnóstico, à destruição focada de tecido celular vivo (por exemplo determinado tipo de tumores), ou, por exemplo a fragmentação de aglomerados minerais (pedras) alojados nos rins. Estas duas últimas referências são, como é sabido, relativas a intervenções em profundidade, sem dano das camadas orgânicas superiores, e, com objectivos terapêuticos plenamente alcançados através de processos não invasivos.

Outras áreas das ciências da actualidade dedicam-se à exploração das potencialidades de levitação de objectos (actualmente, e por enquanto, ainda de corpos muitos leves como pequenas bolas de esferovite) através da acção coordenada de vários pequenos altifalantes activados em simultâneo.

Outra vertente da interacção entre som e matéria refere-se aos níveis vibratórios de ressonância em certos espaços arquitectónicos. O mais curioso é que essas interacções aparentam ser já conhecidas por várias culturas da antiguidade distante, e o domínio dos parâmetros  em causa na produção desses efeitos, ser já um facto no que diz respeito aos "arquitectos" dessas civilizações. 

Existem no Egipto, espaços arquitectónicos cuja construção é atribuída à cultura do Egipto Dinástico (3000-2650 a.C.), nos quais através de vocalizações de apenas um individuo é possível induzir estados de ressonância de toda a câmara arquitectónica na qual esse indivíduo se encontra. O efeito é impressionante...

O mesmo acontece, por exemplo, no Hypogeu de Malta, um gigantesco complexo arquitectónico escavado na rocha, datado de aprox. 4000 a.C. pela arqueologia convencional. Numa das várias câmaras escavadas, a que a actualidade denominou de "Sala do Oráculo", uma voz humana consegue provocar a ressonância de todo o espaço através de vocalizações com frequências de 114 hz.

Em alguns casos de estudo deste fenómeno com recurso a abordagens científicas, avaliando o efeito dessa interacção vibratória nos visitantes destes espaços, constatou-se o estímulo de certos tipos de actividade cerebral, experienciados pelos indivíduos analisados, como sendo de natureza transcendental, e como tal, propiciadora de experiências intensas de índole espiritual. 

A relevância destas descobertas reforça a afirmação da importância de uma disciplina recente, mas cada vez mais convocada, que se encontra direccionada para o estudo dos vestígios arqueológicos e arquitectónicos da antiguidade, na perspectiva da sua articulação com o som, denominada Arqueoacústica.

A interacção entre som e matéria assume ainda comportamentos muito curiosos, nos domínios da Cimática.

Um material granular tipo areia ou açúcar, se colocado sobre uma placa rígida em forma de disco, sujeita à indução de frequências vibratórias regulares e constantes, produzirá padrões gráficos de carácter geométrico, alguns concêntricos, ou, noutros casos com, por exemplo, dois eixos de simetria. Quanto mais alta for a frequência induzida, mais complexo será o padrão formado. Esses padrões denominam-se cimáticos. Cada  padrão cimático corresponde à assinatura de uma determinada frequência, e a variação do valor hertziano associado à vibração que o produz fará alterar o padrão gráfico, criando um novo desenho.
Curiosamente  encontramos motivos gráficos desta ordem, em representações Sumérias (Mesopotâmia 4000 a 2000a.C.). Existe assim margem, na perspectiva de um posicionamento interpretativo mais abrangente que o da ciência convencional, para considerar a possibilidade de estes grafismos constituírem, por algum motivo ainda desconhecido, referências gráficas a frequências hertzianas específicas.

Existem experiências com resultados fascinantes sobre a exposição de amostras de água a determinados tipos de vocalizações humanas, as quais, posteriormente, em função dos sons a que estiveram expostas apresentam diferenças formais no desenho estrutural da sua forma cristalizada. 

O contacto gradual com estas diferentes realidades veio então a constituir na minha mente, matéria prima para uma digestão interpretativa da nossa relação tão intensa com os fenómenos vibratórios provocados pelo som, e mais concretamente, das causas associadas à nossa especial relação com a Música.
Actualmente acredito que os sons que entram em contacto com toda a matéria, e mais particularmente (no âmbito deste post) com os seres humanos, são potencialmente indutores de alterações, que não apenas ao nível dos estados de espírito moimentâneos, e que a compreensão deste potencial de interacção, constitui a explicação para a nossa devoção musical.
Não é também por acaso que a dança, encarada numa perspectiva abrangente (enquanto expressão corporal motora motivada pela exposição do corpo humano ao som), constitui um fenómeno transcultural e intemporal. Mais do que uma manifestação cultural, a dança, na sua forma mais básica, afigura-se-me como uma reacção orgânica a uma determinada construção vibratória envolvente.
As sensações associadas à dança, referidas como libertadoras, e claramente rotuladas como positivas e benéficas pelas pessoas que gostam de dançar, emanam da entrega racional do seu corpo físico, a uma reacção natural e expontânea, originada pela sua exposição celular à referida construção vibratória.

Envolvido por todos estes aspectos, e profundamente convicto dos enormes benefícios para a nossa saúde psíquica e física, resultantes da audição de construções sonoras harmónicas e organizadas (música), aqui deixo, a título de recomendação terapêutica, a minha sugestão de:

 playlist para as 10 melhores músicas de Warpaint…  ; )

Billie Holiday
Love Is to Die
Drive
Undertow
Feeling Alright
Stars
New Song
The Stall
Baby
Heads Up