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Friday, December 30, 2022

Boas Festas 22/23


 A mudança de ano é forçosamente tempo de balanço.

A bordo deste planeta pintou-se a manta, em vários aspectos, ao longo destes últimos doze meses.

Alguns tópicos, previamente requerentes de atenção urgente, no que diz respeito a impedir que esta barca (arca) se afunde, continuaram a ser ignorados, ou foram até integralmente esquecidos.

Se o panorama pandémico da COVID 19 nos parece agora já mais leve, e de certo modo distante, e o nosso dia-a-dia é hoje mais suportável, afigura-se-me também como já evidente, que, a esperança de que, do mundo isolado em casa renascessem sociedades mais solidárias, e a humanidade subisse três degraus de uma só vez, era algo sem fundamento sólido.

… Não, não ficou tudo bem… Longe disso.

A tão falada oportunidade de um novo começo não foi aproveitada, e em vários aspectos estamos hoje mais próximos de um epílogo.

As barbaridades das guerras, das quais nós, homem-macaco, somos tão adeptos, e das quais o fundo auge está ainda tão presente (através do testemunho vivo de alguns poucos sobreviventes da II GM), estão de volta ao mundo civilizado. São algo recorrente no nosso percurso civilizacional, e com elas, alguns de nós resolvem desde as querelas de trânsito às grandes discordâncias político-estratégicas… 

Alguém não estudou a história como devia… Alguém tem pedras no lugar de alguns órgãos vitais (coração)… e não é só na Rússia.

Os encontrões da, e à, China, sobre Taiwan e Hong Kong, e sobre o domínio nos mares do Sul, resultam em perigosas medições de forças que tão facilmente podem acabar mal. 

As infindáveis vagas de imigração precária, frequentemente viagens pagas para a morte, feitas nas condições de conhecimento geral, continuam a encher campos de miséria… O que é feito de Lesbos, e porque desapareceu dos telejornais?

Mas nem tudo foi mau. O extremismo de direita levou um chuto com a queda de Bolsonaro, e o pesadelo Trumpista está agora bem mais longe da possibilidade de regresso ao cargo político mais importante do mundo, embora por motivos muito mais devidos à sua própria brutalidade mental do que propriamente à lucidez eleitoral do povo americano.

No último trimestre do ano, o precioso activismo climático mostrou-nos sinais de vitalidade, embora revestido de um radicalismo sócio-cultural que importa analisar… individual, social e politicamente, na medida em que traduz o desespero de gerações cujas legítimas aspirações a um futuro digno e sustentável se encontram seriamente ameaçadas de frustração. Para todos nós o tempo é curto. Para os mais novos de nós, os seus filhos poderão não ter barca (arca) para navegar. O objectivo de um 1,5° C já foi abandonado, e a lista de "perdas" que isso implica é já assustadora.

Os fenómenos extremos sucedem-se mundo fora… em catadupa… Mas raios, este foi ano de mundial… quem é que quer saber do resto?…

Por cá, as assinaturas digitais de alguns jornais credíveis aumentaram. Mais informação, significa directamente mais qualidade nos votos. Há margem para a esperança.

Mas este… é só um blog de ilustração.

Vou voltar à pintura dos pinóquios.

Tuesday, September 27, 2022

[ Leguminarium ]


POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=VPd-MSr19qI

O florescimento da perspectiva artística do meu percurso de desenho, foi adubado pela professora/pintora Luísa Arruda, durante a minha frequência do primeiro ano em Belas Artes. 

No decurso daquelas aulas, na galeria abóbadada, iluminada pela luz que entrava lateralmente através das grandes janelas do antigo Convento de São Francisco, a minha visão do que o Desenho podia ser, mudou. 

Mas essa mudança era esperada, desejável, e, própria da transição do ensino secundário para o ensino superior artístico. Para essa mudança muito contribuiu também a enorme torrente de estímulos, proveniente de professores, programas, experiências, e, colegas.

O contacto diário com o trabalho de enorme qualidade, produzido por alguns dos meus colegas de então, constituía de facto, só por si, um estímulo intenso. O acompanhamento da evolução de tantos trabalhos diferentes, nas várias vertentes de formação, era verdadeiramente causador de ampliação de horizontes.

Perante um determinado enunciado, a nossa perspectiva pessoal era direccionada para o desenvolvimento, e posterior defesa convicta, de um determinado percurso/solução. Nos dias em que decorriam as avaliações, essa perspectiva, que até aí nos parecera algo única, ou pelo menos a melhor das que havíamos equacionado, era então alinhada lado a lado, com várias dezenas de outras soluções, muitas das quais, com melhores respostas para os problemas com que nos havíamos deparado na realização dos trabalhos.

Voltando às aulas da galeria que ladeava o grande pátio interior do antigo convento…

Aí se materializavam no cavalete à minha frente ancorado, os dinâmicos e tortuosos exercícios da criatividade, arquitectados pela minha mente, ao longo dos processos digestivos de tantas e tantas ideias.

O programa de DESENHO I, desenvolvia-se, com a orientação da nossa fantástica professora, em torno da escolha livre de referentes, sobre os quais iria o aluno trabalhando, durante períodos de tempo de alguns meses.

Nas deambulações e pesquisas por um objecto propiciador da construção de desenhos interessantes, foi então a minha atenção cativada pelas formas orgânicas encontradas nas visitas frequentes ao antigo mercado da ribeira. Por entre a aquisição de sacadas de frutos para consumo na hora, o meu olhar foi cativado pela beleza orgânica de longos ossos descarnados, abandonados na zona dos talhos, em alguidares displicentemente pousados no chão. A minha vontade de aquisição desses "referentes" suscitou surpresa nos talhantes.

Essa série de desenhos, veio a originar os mais gratificantes e motivadores comentários, alguma vez por mim recebidos numa avaliação escolar. Um desses desenhos, o qual considero o nr 1 do meu percurso relevante, encontra-se hoje à entrada de nossa casa, recebendo todos aqueles a quem abrimos a porta. Valeu-me um… "Isto é um bom desenho em qualquer parte do mundo…" – ganhei o dia, a semana e o mês, ao ser o destinatário dessa frase.

Esta linha conceptual originou também os meus desenhos em grande formato, de crânios e mandíbulas de borrego, desenhados com sangue, e, num outro momento, algumas representações de belíssimas couves portuguesas, estando eu clara e justificadamente fascinado com o seu intrincado jogo de folhas e nervuras, cujas representações ainda hoje me orgulham bastante. Um desses desenhos recebeu um prémio numa das edições da CRIATIVIARTE, concurso de artes plásticas de Montemor.O.Novo, com edições anuais.

É então a esse universo, o dos referentes orgânicos vegetais, que o meu trajecto me traz de volta. Alguns anos se passaram desde essas primeiras abordagens, e os vários caminhos seguidos desde então, moldam hoje as características formais desta nova colecção.

As imagens presentes neste post documentam o arranque desta nova série de trabalhos, nos quais me declaro rendido à beleza orgânica de nabos e cenouras com rama (os primeiros dois referentes da colecção), cujas dinâmicas formais e cromáticas me inspiram, ao longo de processos influenciados também pelas variáveis pictóricas do universo da ilustração. Os trabalhos são reproduzidos em mini-séries de 15 unidades, impressas no belíssimo papel texturado Fineart Printing Paper da Hahnemühle, assinadas e numeradas manualmente.

Ao ritmo de uma horta serena irá esta colecção crescendo…




Monday, August 15, 2022

[ Lincoln ]


A morte de um ser humano excepcional não provoca sequer o silêncio dos pássaros, nem o fim do rumorejar das folhas na copa das árvores… O extermínio de 6 milhões de seres humanos não altera a brisa, o vento, o fluir das águas nos rios, ou a cadência suave das ondas do mar.

Esta espécie pode desaparecer, e o universo físico nem sequer pestanejará.


POST SOUNDTRACK:

https://www.youtube.com/watch?v=2zK2Wf4Cblc

Friday, August 5, 2022

[ Românico ao romper da aurora ]


POST SOUNDTRACK:

https://www.youtube.com/watch?v=ON-j7xjUfNQ  


Esta é uma das minhas ilustrações preferidas do Marca a Página 11, da Porto Editora.

A perspectiva do ângulo de representação que escolhi para o enquadramento é obviamente um dos motivos desta preferência.

Mas, também decisivo para tal, é o contexto narrativo a que a ilustração se destina. Nesta parte da acção, Simão Botelho encontra-se a contemplar o romper da aurora, sentado nos degraus do patamar da igreja. À sua frente, o calor cromático da luz solar começa a conquistar a frieza azulada do fim da madrugada, que o nascer do dia vai deixando para trás.

No corpo da personagem, a luz amarelada dos primeiros raios de sol vai anulando os azuis acinzentados que até então o envolviam.

Por detrás desta figura, em jeito de moldura, vê-se um pouco da pesada fachada de granito, da igreja. O arco da entrada, de volta perfeita, cria na sua profundidade, uma zona de sombra que faz a transição da luz exterior para a obscuridade contemplativa do interior. A rosácea por cima da entrada, será a principal fonte da ainda assim reduzida luz da nave central. 

Traços claros de Românico…

No curriculum programático dos então cinco anos do meu curso de Belas Artes, o primeiro nível da cadeira de Fotografia (Fotografia I), era de frequência obrigatória. Fi-lo com muito entusiasmo. Nesse ano, como em qualquer primeiro nível de uma disciplina técnica, numa primeira fase, os alunos são levados em viagem aos primórdios das práticas da área em causa, para conhecer e interiorizar os princípios orientadores da técnica, permitindo posteriormente aspirar a dominar as variáveis que condicionam o desempenho operativo. Esse percurso levou-nos, a nós alunos, a captar prolificamente imagens, através de um sistema denominado "caixa com furo de agulha". Este método converte qualquer vulgar caixa de sapatos, num mágico sistema de captura de fragmentos da realidade. 

O valor do diâmetro do furo de agulha (a rosácea), cozinhado com a intensidade da luz no local, medida por fotómetro manual, em articulação com o tempo de exposição e a distância focal (tempo pelo qual a luz atravessa a nave central), projectam na parede de fundo da caixa (a do altar), devidamente pré-forrada a papel fotográfico (virgem), o instantâneo invertido do tal fragmento de realidade.

A Faculdade de Belas Artes de Lisboa, ocupa parcialmente o Convento de São Francisco, na zona histórica da cidade. As características arquitectónicas deste edifício proporcionam enquadramentos cénicos incríveis, e assim, muitas das minhas "fotos" de "caixa de furo de agulha", resultam em registos fantásticos de recantos conventuais, traduzidos na linguagem granulosa, de um preto e branco pouco focado, característica da técnica "de furo de agulha".

O resultado formal destas experiências afigurou-se-me fascinante.

A frequência de Fotografia II já era opcional. O programa desse segundo degrau formativo pressupunha o desenvolvimento anual de um tema auto-proposto. Perfeito…

Sendo uma cadeira externa ao currículo obrigatório do curso, a não obrigatoriedade de aprovação no final do ano, permitir-me-ia desenvolver o percurso do patamar II, ao ritmo a que me fosse possível, sem a pressão da necessidade de obtenção de nota.

Vi aí a oportunidade para dar largas a este tal fascínio recém-descoberto.

A escolha do tema que me proporia trabalhar, foi bastante evidente, embora assumidamente muito pouco sintética: "Estruturas e espaços de inspiração religiosa e sua relação com a luz". Muitas palavras para caracterizar a abrangência de um tema ainda mais extenso que o título, tanto em etapas, como em caminhos a percorrer. 

Mas eu tinha tempo…

O meu plano passava por registar e digerir esta estranha e volúvel relação entre devoção, e, maior ou menor isolamento lumínico.

A obscuridade, própria de muitas das estruturas de motivação religiosa, pontualmente interrompida por farpas de luz provenientes de aberturas ou interrupções dos planos sensorialmente limitadores, prometia registos fotográficos belos e misteriosos. Por outro lado, a torrente de luz colhida pelos enormes e numerosos vitrais das grandes catedrais do gótico tardio, ou até mesmo o céu aberto das capelas im"perfeitas" do mosteiro da Batalha, era também algo que me fascinava.

O meu alinhamento de trabalho incluía então, desde monumentos megalíticos até igrejas góticas, tendo pelo meio, muito, mas muito… românico. Na verdade seria esse o meu principal campo de recolha.

Iniciei os registos com fotografias na Sé de Lisboa, já bem minha conhecida, e em algumas igrejas espalhadas pontualmente por paisagens alentejanas. 

Conjugando este trabalho com um outro para a cadeira de História da Arte, planeei com três amigos uma pernoita no interior de uma anta (megalitismo do Neolítico), de forma a constatar e registar fotograficamente o alinhamento do corredor de entrada dessa estrutura, com a direcção dos primeiros raios de sol da aurora do solstício de inverno. Infelizmente, nessa madrugada de dezembro, o nascer do sol foi totalmente ocultado por uma densa camada de nuvens, que impossibilitou o sucesso no objectivo comum a ambos os trabalhos.

O leque de pontos a fotografar ia obviamente crescendo à medida que as minhas pesquisas e conversas sobre o tema iam avançando, e, a tarefa a que me havia proposto, rapidamente se revelou incompatível com a realização do trabalho em apenas um ano lectivo. No ano escolar seguinte inscrevi-me então, novamente, em Fotografia II, para dar continuidade ao dito trabalho.

Numa ida a uma feira de livros em saldo, a minha escolha recaiu, para espanto de alguns amigos, sobre um pesado tijolo de papel, resultante de um levantamento exaustivo e cinzento, do "Românico em Portugal", paginado de forma monótona, com manchas de texto cansativas e fotografias monocromáticas de impressão manhosa. Foi esse o livro que eu escolhi comprar…

Mas o auge programado do meu trabalho passaria por uma viagem fotográfica em modo de passeio a pé e pernoitas ao relento, até à incrível capela românica de S. Pedro das Águias, situada numa zona de escarpas rochosas, perto de Viseu. Esta pequena igreja de nave única, e cuja porta de entrada dista aproximadamente 1,5 metros da parede da encosta escarpada que se ergue a partir desse patamar, possui uma iluminação interior mínima, veiculada por pequenas frestas nas paredes laterais. 

Românico puro…

Esta viagem não aconteceu no entanto nesse ano… nem no seguinte… nem em nenhum dos que se lhes seguiram… e a dimensão do trabalho a que me havia proposta, tornou-se incompatível com as outras vertentes que na minha vida reclamavam, essas sim, estatuto de… frequência obrigatória.

O desenvolvimento e conclusão do trabalho ter-se-ão esfumado no tempo, ou, mais precisamente, na falta dele… demonstrando uma brevidade que o românico, com as suas pesadas paredes de pedra, desconhece.

Como referi, Fotografia II não era de frequência obrigatória, e assim, o que perdi foram alguns belos passeios que ficaram por fazer, mas… o românico resiste bem à passagem do tempo, e S. Pedro das Águias lá continuará, de costas viradas a nascente. A base do lado exterior dessa parede é composta por dois degraus… poiso perfeito para contemplar a vitória da luz do amanhecer sobre a obscuridade azulada da madrugada no vale.

Friday, July 22, 2022

[ Antero de Quental #2 ]

 



A alma de Antero era atormentada. O seu corpo pouco podia contra a assombração do espírito que o fustigava em permanência… o seu. 
A 11 de Setembro de 1891 matou-se a tiro de pistola, na terra que o viu nascer – Ponta Delgada. Por cima do banco que escolheu para assento nesta tarefa final, estava uma placa embutida na parede. Essa placa havia sido lá colocada com um fim… o de exibir uma palavra. Lá, gravada em alto relevo, podia ler-se "ESPERANÇA".

Monday, June 27, 2022

[ Pai e filho sob/re Orion ]


POST SOUNDTRACK

https://www.youtube.com/watch?v=bD-qG7tpPB0

Esta ilustração representa um pai (o meu), contemplando a via láctea, irremediavelmente entornada no cristalino céu do Alentejo profundo, em noite de lua nova. A luz que lhe ilumina o rosto, é a da lâmpada que por cima da porta da entrada, tentava vencer a escuridão que todas as noites envolvia, o à altura seu, isolado monte alentejano. A toda a volta, estendem-se quilómetros de terra arada, delimitados por linhas de árvores acompanhando tímidos cursos de água. Na minha ilustração, a tal luz encontra-se atenuada pela distância à casa, distância essa intencionalmente procurada por nós para contemplar as estrelas, diminuindo a interferência visual.

Esta ilustração destinou-se a um poema de meu pai, intitulado "via láctea", e foi uma das colaborações presentes na exposição conjunta que fizemos na galeria TeoArtis, em Évora, há uns anos valentes.

Publiquei-a neste blog em Agosto de 2007.

Este afastamento temporal permite-me assim já, sem risco de enfado para eventuais leitores da presente publicação, um repost da imagem, motivado pela sua total adequação às linhas seguintes.


PAI – … Mas nem tudo o que parece é… Reflecte sobre o seguinte: se as viagens trans-pacífico são um facto assim tão tardio na história da humanidade, como é que existem hieróglifos egípcios gravados em paredes rochosas do interior da Austrália?

FILHO –… que sentido é que isso faz?

PAI – Não se trata de fazer sentido… São factos. Independentemente de fazer ou não sentido. Repara no seguinte – quais os dois povos que conheces, e que associas a boomerangues? Vêmo-los nas mão dos aborígenes australianos e nas suas pinturas, antigas e recentes… mas também os vemos nas paredes pintadas do antigo Egipto… Poderá haver aqui algo mais do que coincidência? 

FILHO – Mas, a confirmar-se, não seria esse facto mais conhecido e falado?

– O Pai ri-se… –

PAI – Houve esta outra história sobre a mesma ideia… O antigo Egipto tinha, no seu imaginário religioso, um lugar especial para a constelação de Orion.

Esse lugar era tão especial que essa civilização decidiu eternizar essa relevância na sua arquitectura, construindo algo tão incrível, tão marcante a nível civilizacional, que esse marco ficou mesmo para a história da humanidade enquadrado na lista das sete maravilhas do mundo.

As três pirâmides do planalto de Gizé estão dispostas de acordo com a relação proporcional de distâncias existente entre as 3 estrelas da cintura de Orion. Além da relação de distâncias entre si, também a relação de dimensões relativas se encontra reflectida neste complexo. De facto a pirâmide maior está posicionada no lugar correspondente ao da estrela mais luminosa. A pirâmide mais pequena também se encontra no local correspondente ao da estrela menos luminosa. Será coincidência? 

FILHO – As above, so below?

PAI – … Mas nem só os egípcios veneravam Orion. Essa devoção era comum a vários povos da antiguidade. Também os antepassados dos aztecas, a um oceano de distância, estavam tão fascinados com aquela constelação que também eles decidiram edificar estruturas enormes reflectindo a relação existente entre as três estrelas da cintura de Orion. Fizeram-no no complexo de Teotihuacan.

Trata-se certamente de outro acaso, dado que, ao que sabemos, não existiam viagens transatlântico na altura… certo?

Em Teotihuacan também encontramos três edificações que replicam a relação de distâncias e posicionamento das tais três estrelas. Trata-se do complexo arquitectónico da pirâmide do sol.

FILHO - Poder-se-ia dizer que a coincidência se deve ao acaso, e à extrema devoção de ambas as civilizações por essa constelação…

PAI - A teoria da coincidência complica-se um pouco quando consideramos as dimensões absolutas das duas pirâmides maiores em ambos os casos.

FILHO - Como assim?

PAI - Em Gizé, a pirâmide maior, comunmente associada ao Faraó Queóps, tem base quadrangular perfeita. A largura de cada lado é de 230m, segundo a a enciclopédia Brittanica online, ou 230.33m segundo a muito menos fiável wikipedia.

A pirâmide do sol de Teothiuacan tem base rectangular, ou seja, dois dos seus 4 lados são maiores que os outros dois. Por incrível que possa parecer, os lados maiores da estrutura medem, segundo a enciclopédia Brittanica online…230 m…

…medindo os 2 menores 220m.

Ou seja, a diferença de largura das duas maiores pirâmides de dois complexos arquitectónicos da antiguidade, separados por um oceano, replicando ambos na terra, a relação de posicionamento entre si das 3 estrelas da cintura de Orion, é de, entre 0 e 33 cm, consoante a fonte. Se considerarmos só os valores da mais fiável enciclopédia Brittanica, ambas a pirâmides têm exactamente a mesma largura.

FILHO - … Uau… não… Como é possível? 

PAI - Mas a coisa ainda se complica mais um pouco…

FILHO - acho difícil… mas estou curioso.

PAI - … Na verdade ambas as civilizações se assumiam como herdeiras de um legado enorme, cujas origens remontavam a milénios passados. Os conquistadores espanhóis, confrontados com a perfeição edificativa que encontraram na América do Sul, perguntaram aos indígenas como é que tinham conseguido erigir semelhantes maravilhas. A sua resposta foi: "Não fomos nós… Tudo isto já existia quando cá chegámos". Os gregos reportaram o mesmo sobre o que os egípcios diziam do seu próprio passado. 

Auto-intitulavam-se uma"civilização de legado".

FILHO - Mmmm… e eles acreditaram? 

PAI - Olha que, o que sabemos hoje não deixa de ser intrigante…

FILHO - Então…?

PAI - Muitos destes povos eram, em termos evolutivos, povos da idade do Bronze. 

FILHO - Mas não os egípcios… 

PAI - … atenção… A civilização do antigo  Egipto dura aproximadamente 4.000 anos… e… são 4.000 anos decorridos antes de Cristo. É muito tempo, e foi há muito tempo. Podes estar a ser enganado por isso. Estarás provavelmente a pensar na concepção que temos dos reinados tardios do Egipto… Mas a pirâmide que encaixamos no restrito grupo das sete maravilhas do mundo, e que até à construção da Torre Eifel foi a edificação mais alta do mundo, é datada como tendo sido construída no reinado do faraó Queóps, entre os anos de 2589 e 2566 a.C.… Estamos. a falar de um povo a viver num contexto evolutivo da idade do bronze, no qual nem sequer se usava a roda.

FILHO - … e que também se considerava herdeiro de um vasto legado?

PAI - (rindo brevemente) … experimenta pesquisar sobre "zep tepi"… o tempo em que os deuses andavam entre nós.

Tuesday, May 17, 2022

[ Antero de Quental #1 ]


POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=GFoT6UUNLZc

      Com os Mortos


Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...

E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.


Antero de Quental

Wednesday, May 11, 2022

[ Grato a Eça ]



O autor que me fez descobrir o enorme prazer que a leitura de um livro pode proporcionar, foi Eça de Queirós.
O livro veículo desta descoberta… A Ilustre Casa de Ramires, com primeira edição publicada há 122 anos.
A nível de conteúdo, houve para mim, na leitura deste livro, um grande alinhamento de referências narrativas, com referências pessoais do meu eu da altura. A vertente da acção medieval, presente nas vivências de Tructesindo Ramires, encaixou que nem uma luva num imaginário que eu explorava em banda-desenhada de produção própria. Também me disse muito a aura do tradicionalismo rural português de Vila Clara, na qual decorria uma parte da acção do tempo "presente" do livro. 
Mas a experiência desta leitura foi marcante a um outro nível. Consigo recordar com enorme nitidez, os finais de dia passados em solitária e saborosa degustação do meu livro… na sala da casa, lendo à luz amarela do candeeiro que estava na prateleira superior do móvel da aparelhagem Onkio. No gira-discos, como moldura sonora desses momentos, eu, com frequência fazia rodar o vinil dos concertos de Brandenburgo, de Bach, numa fantástica gravação da Deutsche Grammophone de uma interpretação com instrumentos da época. 
… Como encaixava bem aquela música nas páginas do meu livro… 
… Como encaixava bem esse binómio nos fins de dia do meu eu da altura…
Num dos anos escolares seguintes, o programa de leituras da cadeira de Português trouxe até mim Os Maias
Nessa outra fase da minha adolescência, também este livro me proporcionou belíssimos momentos de leitura. 
A tragédia amorosa de Carlos da Maia e Maria Eduarda, confirmou-me um convicto fã da escrita de Eça. 
Tendo esses momentos da minha vida ainda tão presentes na memória, foi com enorme entusiasmo que recebi o desafio da Porto Editora para ilustrar alguns momentos narrativos d'Os Maias, para o Marca a Página 11, manual de português elaborado pela fantástica equipa de autores (Bárbara Tavares, Daniela Pinheiro, Isolete Sousa e Ricardo Cruz, com coordenação editorial de Carla Pereira), com a qual já havia tido a sorte de trabalhar na construção do livro do 10° ano, da mesma disciplina.
A intrincada relação entre ilustração e texto, faz com que o resultado final dessa união, seja, na mente do leitor, muito diferente da contemplação das partes em separado. O efeito sugestivo da ilustração, influencia (positivamente, deseja-se), a construção mental que o leitor faz do conteúdo das palavras escritas, à medida que este lê o texto, e, em sentido inverso, o texto confere, na imaginação do leitor, acção e vida aos inanimados bonecos presentes na página, os quais, de outra forma, valendo só por si, ficariam grandemente desprovidos de alma (anima / animação). 
A vida narrativa da ilustração está no texto. A construção que o leitor faz da história é formalmente moldada pela ilustração.
À luz desta ideia, foi então para mim um prazer enorme contribuir para a construção mental que os futuros leitores deste manual (Marca a página 11), farão de uma obra literária escrita por um dos meus autores preferidos.
No momento particular a que alude a ilustração apresentada neste post, ao entrelaçamento físico das personagens, idealizado e descrito por Eça, pude emprestar a minha própria noção de abraço apaixonado, e de sorriso cúmplice e feliz. A acção será desenvolvida e continuada na mente do leitor, por Carlos da Maia e Maria Eduarda, à medida que a narrativa os conduz através da sala das tapeçarias, em direcção ao quarto. Há poucos instantes… ou daqui a um breve momento… Carlos pousará no pescoço de Maria Eduarda um beijo longo e lento, e ela abandonar-se-á mais… e os seus olhos cerrar-se-ão pesados e vencidos…
"Viram" isto acontecer?
Eu sim, claramente.




Thursday, April 28, 2022

[ Nick Cave got it right ]


POST SOUNDTRACK

https://www.youtube.com/watch?v=LnHoqHscTKE


Nick Cave got it right

Tal como ele, há muitos anos que também eu "…don´t believe in an interventionist God".

Cheguei a esta ideia de forma muito racional (por oposição a dogmática)… da mesma forma, aliás, que cozinho todas as minhas ingénuas conjecturas sobre a transcendência.

É para mim claramente impossível que alguém (ou algo), tenha mão nesta imensa engrenagem chamada "história da humanidade". Nesta engrenagem, existe uma gigantesca roda dentada (com dentes bem aguçados) a qual, ao ritmo de rotação das voltas do todo, vai lenta e implacavelmente trucidando muitas e muitas pequenas existências individuais, das quais os gritos se ouvem bem alto. Esses gritos, por vezes gerados pela dor de quem se vê no mais tenebroso dos infernos, em nada perturbam o andamento da dita roda, ou as rotinas do todo que a compõe.

O sofrimento destas almas é autêntico, por vezes muito intenso, por vezes desesperado… por vezes louco.

Na origem deste sofrimento estão por vezes causas que se arrastam no tempo, e esse sofrimento é de longa duração… Tem por vezes a duração de vidas. Esse sofrimento também tem, por vezes, causas breves… de apenas segundos, de apenas minutos, de apenas horas ou dias… mas de uma intensidade insana.
Esse sofrimento tem por vezes como causa a constatação e observação, ou a vivência partilhada, do sofrimento das vidas outras que mais prezamos… Haverá sofrimento maior?


Quantos biliões de episódios de desespero absoluto, e tão frequentemente inocente, já se viveram nesta novela?

A entidade que habita esse outro plano de existência, e que por razão da sua inoperância, tem, dedutivamente, que estar impossibilitada de capacidade de intervenção, só pode ser um espectador muito deprimido.

Enquanto passageiro atento desta transição pelo plano da existência física, já constatei a verdade de uma relação entre sofrimento e evolução espiritual… Mas  #@%*$#;±>£…  Quantas almas genuinamente boas já se ajoelharam e rezaram desesperadamente, com toda a força da sua crença, suplicando fervorosamente a tal intervenção propiciadora do fim do inferno, para si… para os inocentes seus… Quantas dessas almas genuinamente boas acabaram literalmente numa fornalha ardente… saindo em cinzas pelo alto de uma chaminé…

Sempre achei que a nota prevalecente na análise transversal às conquistas sociais e morais da história da humanidade fosse o Progresso. Achei que a transposição histórica de certos obstáculos, trazia consigo a impossibilidade do retrocesso, e que o tempo da rezas desesperadas e infrutíferas, oriundas de grandes massas de gente que atravessa o inferno na terra, não voltasse ao mundo civilizado.

I got it wrong…

Friday, March 18, 2022

[ Corte ]


POST SOUNDTRACK

Corte 1
Cortar as linhas que nos guiam no sentido de evitar os erros que a nossa inexperiência/imaturidade não permite antecipar, livrando-nos assim de desfechos menos positivos para a nossa integridade, ainda que, por vezes, gerando em nós contrariedade e revolta interior, momentânea ou permanente, advinda do facto de a nova direção induzida às nossas dinâmicas, poder ser contrária à que é mais apelativa à nossa vontade. 

Corte 2
Cortar as linhas que nos prendem os movimentos, restringindo a nossa liberdade, diminuindo a amplitude do bater das nossas asas, e, consequentemente, promovendo a calcificação da articulação dos nossos movimentos máximos potenciais, com reflexo imediato na diminuição dos horizontes dos nossos processos mentais criativos, resultando no enjaulamento involuntário da personalidade por descobrir.

Abrir a tesoura… Cercar a linha alvo por dois lados necessariamente opostos… Abater sobre ela (linha) o desencontro cruzado rasante das duas lâminas articuladas em convergência… Adequar a força aplicada à debelação da densidade da linha, ajustada em função da verificação sensorial imediata… Assistir ao sucesso programado do desfecho da acção.

Tuesday, March 15, 2022


 

[ Casa ampliada… ]

 

POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=TYSAxi86Wus

Esta foto é de Fevereiro de 2012.
Foi tirada para ilustrar uma mini entrevista publicada no site da "I love Bairro Alto".
Nessa altura eu tinha regressado, havia aproximadamente 1 ano, ao desenho em grande formato.
Nesta fotografia tirada no meu atelier, está, em fundo, o meu plano de trabalho, no qual é possível ver um desenho "em curso", protegido com uma folha de papel vegetal. Este trabalho fazia parte de uma colecção subordinada à temática da luz, e à sua tradução em manchas de diferentes densidades de riscado preto.
Na minha mão direita estão duas canetas de tinta da china responsáveis por tal espalhafato.
Estes desenhos retomaram uma práctica iniciada nos primeiros anos de Belas Artes, e sucederam às minhas experiências de temáticas orgânicas (desenho de couves, ossos de cavalo e de borrego, etc.), representadas, por vezes, com materiais também orgânicos, enquanto elementos cromáticos/pictóricos (sangue de animais), numa perspectiva conceptual de articulação profunda entre tema representado e técnica de representação.
Decidi recentemente conceder uma montra a este meu percurso no qual exploro o desenho-como-um-fim-em-si-mesmo.
Quem faz o favor de acompanhar as publicações deste meu repositório de riscos, letras, e por vezes sons de minha autoria, sabe que o meu trabalho de ilustração (desenho-como-um-meio), está indissociavelmente embrenhado no meu trabalho de desenho, e vice-versa.
Achei então que faria sentido que essa montra tivesse alojamento numa divisão desta casa a que chamo blog. 
Na coluna indexadora de navegação encontra-se um link para algo chamado Drawing art _ Rodrigo Prazeres Saias,  e será então aí que irei, discretamente, ilustrar esse meu percurso.
À semelhança do que vai acontecendo aqui deste lado, manifesto-me desde já profundamente grato por quaisquer eventuais futuras visitas.


Wednesday, January 12, 2022

[ All you can eat… ]


POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=t11PTeizrhs

Donald Trump não gosta de Greta Thunberg. Facto abonatório a favor de Greta Thunberg.

A frase "We need some global warming in here" ficar-me-á gravada na memória, bem juntinho à inesquecível "Grab'em by the pussy". 

Vinda do presidente americano que proferiu estas barbaridades, qualquer injúria soa a elogio… qualquer hostilidade soa a louvor.

Na frágil figura de Greta adolescente, o que mais incomodava Trump era a sua postura crítica. Na verdade, não era só a Trump que a postura crítica de Greta incomodava. Para muitos já então adultos, era insuportável a mera confrontação por parte de uma criança, a qual, ainda para mais, activamente pregava aguçados raspanetes à população de "crescidos", responsável pelas decisões relevantes para os destinos do mundo.

Mas essa atitude de Greta, carregada de arrogância motivada por uma revolta tal, que por vezes quase a leva ao choro irado e muito dificilmente contido à porta de uns lábios trémulos, apenas traduz a real urgência das mudanças que tínhamos (temos) que fazer… no curto espaço de tempo em que estas têm que ser feitas. Essa revolta contida traduz a sua perplexidade com a cegueira voluntária e selectiva que já então identificava numa população que empurra, através das suas opções diárias, o seu próprio planeta para o ponto de não retorno da insustentabilidade climática, e, por ignorância, ainda não se apercebeu de que isso vai mesmo ser uma tragédia para si e para a sua descendência.

A criança Greta Thunberg (hoje com 19 anos), cedo teve a noção dessa urgência. Cedo teve a noção de que o equilíbrio ambiental do seu futuro lhe estava a ser roubada, e decidiu agir. Abdicou das suas idas à escola, e converteu o seu tempo útil de jovem menina, em tempo de protesto e chamada de atenção de âmbito mundial, para um tema ignorado pela esmagadora maioria dos passageiros deste planeta.

Na espécie humana, o estabelecimento no indivíduo, da consciência e da capacidade crítica abrangente, faz-se muito tarde. Demoramos muito tempo a aprender o básico, e a experimentá-lo. Normalmente só lá para o fim da adolescência (sendo benévolo e optimista) é que desenvolvemos a capacidade de nos posicionarmos criticamente perante aspectos outros que não apenas os ligados à nossa sobrevivência… à nossa egocêntrica pequena esfera de subsistência. Quando começamos a atingir essa maturidade, somos sugados por uma teia de preocupações e interesses secundários, fáceis de digerir e propiciadores de grande prazer imediato, mas de curta duração, preocupações essas que nos mantêm adormecidos para as grandes questões, por muitos mais anos, e, eventualmente para o resto da vida.

Muitos de nós, a meio do caminho, encontramo-nos já de tal modo submersos e entorpecidos, que as grandes questões da existência apenas conseguem despertar em nós, riso, e afiguram-se-nos apenas como temáticas para gozo e ridicularização.

O nosso dia-a-dia é de tal modo preenchido com a satisfação dos pequenos desafios, solicitações e artificiais necessidades, resultantes da nossa existência nas sociedades modernas, que, não nos sobra sequer tempo para contemplar os aspectos próprios de uma outra forma de existir… mais profunda.

No entanto, nesse estado, permanece firme em nós a noção interiorizada de que estamos no rumo certo da vida adulta… sabemos o que estamos a fazer, e dominamos as variáveis.
Nessa altura, normalmente reproduzimo-nos.

Foi assim chocante, para muitos, que uma pirralha mimada que não sabia ainda o que era a vida,  tivesse tempo de antena no púlpito das Nações Unidas, e, viesse aí perguntar "How dare you?"… Essa pergunta retumbou por uns tempos na consciência de alguns de nós. Apanhou-nos como se de um murro se tratasse. Antes de conseguirmos formular uma resposta, recuámos três passos com o impacto…

Estamos no mundo como se a terra não rodasse em torno de um eixo, mas sim de um espeto… Comportamo-nos como estando num verdadeiro rodízio, em que podemos servir-nos sem limites, até saciarmos a nossa insaciável vontade. 
ATENÇÃO: O nosso apetite, hoje e ainda, é para "all you can eat"…

Thursday, January 6, 2022

Egoísta Natal _ Edição especial


POST SOUNDTRACK

Ainda não a vi impressa, mas a mais recente edição especial da Egoísta já anda por aí.
O tema é "Natal".
Esta ilustração acompanha um texto da cantora e compositora Márcia, sobre a verdadeira harmonia dos natais da infância. Eu, no meu exercício ilustrativo, fui transportado pela sua construção narrativa aos meus harmoniosos e distantes natais de infância.
Aqui fica o resultado.
No site da revista encontra-se uma pequena referência biográfica de cada colaborador. 
A minha já tem alguns anos. Numa perspectiva de aferição de actualidade entreguei-me à sua leitura… e aqui a reproduzo.
… com votos de BOM ANO ; )


Edição Especial . Natal



Rodrigo Prazeres Saias. Faro | 1973. Licenciado (pré-Bolonha) em Design de comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Designer e ilustrador, com um percurso transversal pelas artes plásticas através do desenho como um fim em si mesmo. 

Membro integrante da equipa original do atelier 004 (004 f*@#ing ideas), desenvolve o seu percurso gráfico através de projectos nas várias vertentes do design de comunicação dos quais se destacam projectos editoriais, expositivos e de sinalética.

Enquanto ilustrador colabora com alguns dos mais prestigiados jornais portugueses, destacando-se ilustrações para capas dos jornais Público e Diário de Notícias, bem como colaborações regulares com as Revistas Egoísta, Index (suplemento semanal do jornal i) e revista Pública (suplemento semanal do Jornal Público). Nesta vertente, destaque ainda para a obtenção de um Merith Award da Society of Publication Designers (NY, USA) em ilustração. A nível editorial são também dignas de menção colaborações com as editoras D. Quixote, Porto Editora, Asa editores, Raíz Editora, entre outros.

Obteve mais de 30 prémios nacionais e internacionais pelo seu trabalho de design e/ou ilustração, com destaque para um Best Cover APEX Award (EUA)  pelo design da capa da edição “Guerra” da Revista Egoísta.

Enquanto artista plástico desenvolve trabalho através do desenho de grande formato, como um fim em si mesmo, explorando, por vezes, técnicas, referentes e  materiais não convencionais, como seja a utilização de sangue de animais como matéria pictórica.