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Wednesday, April 14, 2021

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Maria Ciência Brito Gama da Fonseca

Meireles espetou o dedo no ar e disse:

- Eu quero!

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Sunday, April 11, 2021

[ Não…não "Vai Ficar Tudo Bem" ]

 

Logo no início desta famigerada fase das nossas vidas, tornou-se evidente que: 

… não… não "Vai Ficar Tudo Bem."

Muito rapidamente a chocante negação do pseudo-lema de resistência (Vai Ficar Tudo Bem) começou a aparecer escarrapachada nos jornais. Ficou-me gravada a realidade de uma família, apresentada numa notícia do Público, em que uma senhora perdera, num curto espaço de tempo, marido, pai e irmão… Os três, sugados pelo vórtice Covidiano, que, uma vez tocados os pulmões das vítimas condenadas, absorve a materialidade dos seus corpos, não mais deixando os seus entes queridos verem as suas feições, agarrarem as suas mãos, ouvirem as suas vozes… dizerem-lhes adeus. Dos hospitais saindo depois… já em caixões selados.

Um ano e quase meio passado sobre o início desta pandemia, cresceram de forma esmagadora os números das famílias destroçadas pela morte dos seus, e somaram-se os números negros emanados por vários parâmetros da vida das pessoas: milhões de empregos irrecuperavelmente destruídos, negócios de vida levados à ruína, muitas famílias sem casa, muita gente atirada para a rua, e muitas, muitas bocas com fome…

Para tanta gente, nunca mais Nada Vai Ficar Bem

Apesar dos contornos grotescos desta realidade que se estende mundo fora, sem olhar a fronteiras, geográficas ou económicas, ainda é possível encontrar janelas que ostentam o tal conjunto composto por arco-íris + frase. 

É para mim evidente que na origem da simbólica iniciativa, estava um sentimento positivo, e a intenção de construção de uma postura de resistência, focada na superação solidária da adversidade comum. Mas… parece-me igualmente evidente que os contornos da calamidade rapidamente permitiam deduzir que a repetição insistente desse mote, seria nada menos do que insuportavelmente dolorosa para tantos que iam gradualmente sendo afogados em desgraça. 

No atribulado mar que navegamos, os quadros depressivos mutilam muitas pessoas, e por arrasto, muitas famílias. É esse o contexto desta ilustração que teve como cliente final a Angelini.

Dada a duração desta travessia teremos agora todos amplas possibilidades de dar largas aos manifestos de positivismo. Desta vez, não com arco-íris nas janelas… mas sim nas verdadeiras redes sociais. Naquelas redes sociais físicas, compostas por pessoas em vez de ecrãs, mãos em vez de teclados… alimentadas por acções reais em vez de manifestos virtuais, e que têm num extremo a necessidade, e no outro a solidariedade… para que tudo fique Um Pouco Menos Mal.