Wednesday, May 11, 2022
[ Grato a Eça ]
Thursday, April 28, 2022
[ Nick Cave got it right ]
POST SOUNDTRACK
https://www.youtube.com/watch?v=LnHoqHscTKE
Nick Cave got it right…
Tal como ele, há muitos anos que também eu "…don´t believe in an interventionist God".
Cheguei a esta ideia de forma muito racional (por oposição a dogmática)… da mesma forma, aliás, que cozinho todas as minhas ingénuas conjecturas sobre a transcendência.
É para mim claramente impossível que alguém (ou algo), tenha mão nesta imensa engrenagem chamada "história da humanidade". Nesta engrenagem, existe uma gigantesca roda dentada (com dentes bem aguçados) a qual, ao ritmo de rotação das voltas do todo, vai lenta e implacavelmente trucidando muitas e muitas pequenas existências individuais, das quais os gritos se ouvem bem alto. Esses gritos, por vezes gerados pela dor de quem se vê no mais tenebroso dos infernos, em nada perturbam o andamento da dita roda, ou as rotinas do todo que a compõe.
O sofrimento destas almas é autêntico, por vezes muito intenso, por vezes desesperado… por vezes louco.
Na origem deste sofrimento estão por vezes causas que se arrastam no tempo, e esse sofrimento é de longa duração… Tem por vezes a duração de vidas. Esse sofrimento também tem, por vezes, causas breves… de apenas segundos, de apenas minutos, de apenas horas ou dias… mas de uma intensidade insana.
Esse sofrimento tem por vezes como causa a constatação e observação, ou a vivência partilhada, do sofrimento das vidas outras que mais prezamos… Haverá sofrimento maior?
Quantos biliões de episódios de desespero absoluto, e tão frequentemente inocente, já se viveram nesta novela?
A entidade que habita esse outro plano de existência, e que por razão da sua inoperância, tem, dedutivamente, que estar impossibilitada de capacidade de intervenção, só pode ser um espectador muito deprimido.
Enquanto passageiro atento desta transição pelo plano da existência física, já constatei a verdade de uma relação entre sofrimento e evolução espiritual… Mas #@%*$#;±>£… Quantas almas genuinamente boas já se ajoelharam e rezaram desesperadamente, com toda a força da sua crença, suplicando fervorosamente a tal intervenção propiciadora do fim do inferno, para si… para os inocentes seus… Quantas dessas almas genuinamente boas acabaram literalmente numa fornalha ardente… saindo em cinzas pelo alto de uma chaminé…
Sempre achei que a nota prevalecente na análise transversal às conquistas sociais e morais da história da humanidade fosse o Progresso. Achei que a transposição histórica de certos obstáculos, trazia consigo a impossibilidade do retrocesso, e que o tempo da rezas desesperadas e infrutíferas, oriundas de grandes massas de gente que atravessa o inferno na terra, não voltasse ao mundo civilizado.
I got it wrong…
Friday, March 18, 2022
[ Corte ]
Tuesday, March 15, 2022
[ Casa ampliada… ]
Esta foto é de Fevereiro de 2012.
Foi tirada para ilustrar uma mini entrevista publicada no site da "I love Bairro Alto".
Nessa altura eu tinha regressado, havia aproximadamente 1 ano, ao desenho em grande formato.
Nesta fotografia tirada no meu atelier, está, em fundo, o meu plano de trabalho, no qual é possível ver um desenho "em curso", protegido com uma folha de papel vegetal. Este trabalho fazia parte de uma colecção subordinada à temática da luz, e à sua tradução em manchas de diferentes densidades de riscado preto.
Na minha mão direita estão duas canetas de tinta da china responsáveis por tal espalhafato.
Estes desenhos retomaram uma práctica iniciada nos primeiros anos de Belas Artes, e sucederam às minhas experiências de temáticas orgânicas (desenho de couves, ossos de cavalo e de borrego, etc.), representadas, por vezes, com materiais também orgânicos, enquanto elementos cromáticos/pictóricos (sangue de animais), numa perspectiva conceptual de articulação profunda entre tema representado e técnica de representação.
Decidi recentemente conceder uma montra a este meu percurso no qual exploro o desenho-como-um-fim-em-si-mesmo.
Quem faz o favor de acompanhar as publicações deste meu repositório de riscos, letras, e por vezes sons de minha autoria, sabe que o meu trabalho de ilustração (desenho-como-um-meio), está indissociavelmente embrenhado no meu trabalho de desenho, e vice-versa.
Achei então que faria sentido que essa montra tivesse alojamento numa divisão desta casa a que chamo blog.
Na coluna indexadora de navegação encontra-se um link para algo chamado Drawing art _ Rodrigo Prazeres Saias, e será então aí que irei, discretamente, ilustrar esse meu percurso.
À semelhança do que vai acontecendo aqui deste lado, manifesto-me desde já profundamente grato por quaisquer eventuais futuras visitas.
Wednesday, January 12, 2022
[ All you can eat… ]
Donald Trump não gosta de Greta Thunberg. Facto abonatório a favor de Greta Thunberg.
A frase "We need some global warming in here" ficar-me-á gravada na memória, bem juntinho à inesquecível "Grab'em by the pussy".
Vinda do presidente americano que proferiu estas barbaridades, qualquer injúria soa a elogio… qualquer hostilidade soa a louvor.
Na frágil figura de Greta adolescente, o que mais incomodava Trump era a sua postura crítica. Na verdade, não era só a Trump que a postura crítica de Greta incomodava. Para muitos já então adultos, era insuportável a mera confrontação por parte de uma criança, a qual, ainda para mais, activamente pregava aguçados raspanetes à população de "crescidos", responsável pelas decisões relevantes para os destinos do mundo.
Mas essa atitude de Greta, carregada de arrogância motivada por uma revolta tal, que por vezes quase a leva ao choro irado e muito dificilmente contido à porta de uns lábios trémulos, apenas traduz a real urgência das mudanças que tínhamos (temos) que fazer… no curto espaço de tempo em que estas têm que ser feitas. Essa revolta contida traduz a sua perplexidade com a cegueira voluntária e selectiva que já então identificava numa população que empurra, através das suas opções diárias, o seu próprio planeta para o ponto de não retorno da insustentabilidade climática, e, por ignorância, ainda não se apercebeu de que isso vai mesmo ser uma tragédia para si e para a sua descendência.
A criança Greta Thunberg (hoje com 19 anos), cedo teve a noção dessa urgência. Cedo teve a noção de que o equilíbrio ambiental do seu futuro lhe estava a ser roubada, e decidiu agir. Abdicou das suas idas à escola, e converteu o seu tempo útil de jovem menina, em tempo de protesto e chamada de atenção de âmbito mundial, para um tema ignorado pela esmagadora maioria dos passageiros deste planeta.
Na espécie humana, o estabelecimento no indivíduo, da consciência e da capacidade crítica abrangente, faz-se muito tarde. Demoramos muito tempo a aprender o básico, e a experimentá-lo. Normalmente só lá para o fim da adolescência (sendo benévolo e optimista) é que desenvolvemos a capacidade de nos posicionarmos criticamente perante aspectos outros que não apenas os ligados à nossa sobrevivência… à nossa egocêntrica pequena esfera de subsistência. Quando começamos a atingir essa maturidade, somos sugados por uma teia de preocupações e interesses secundários, fáceis de digerir e propiciadores de grande prazer imediato, mas de curta duração, preocupações essas que nos mantêm adormecidos para as grandes questões, por muitos mais anos, e, eventualmente para o resto da vida.
Muitos de nós, a meio do caminho, encontramo-nos já de tal modo submersos e entorpecidos, que as grandes questões da existência apenas conseguem despertar em nós, riso, e afiguram-se-nos apenas como temáticas para gozo e ridicularização.
O nosso dia-a-dia é de tal modo preenchido com a satisfação dos pequenos desafios, solicitações e artificiais necessidades, resultantes da nossa existência nas sociedades modernas, que, não nos sobra sequer tempo para contemplar os aspectos próprios de uma outra forma de existir… mais profunda.
No entanto, nesse estado, permanece firme em nós a noção interiorizada de que estamos no rumo certo da vida adulta… sabemos o que estamos a fazer, e dominamos as variáveis.
Nessa altura, normalmente reproduzimo-nos.
Foi assim chocante, para muitos, que uma pirralha mimada que não sabia ainda o que era a vida, tivesse tempo de antena no púlpito das Nações Unidas, e, viesse aí perguntar "How dare you?"… Essa pergunta retumbou por uns tempos na consciência de alguns de nós. Apanhou-nos como se de um murro se tratasse. Antes de conseguirmos formular uma resposta, recuámos três passos com o impacto…
Estamos no mundo como se a terra não rodasse em torno de um eixo, mas sim de um espeto… Comportamo-nos como estando num verdadeiro rodízio, em que podemos servir-nos sem limites, até saciarmos a nossa insaciável vontade.
ATENÇÃO: O nosso apetite, hoje e ainda, é para "all you can eat"…
Thursday, January 6, 2022
Egoísta Natal _ Edição especial
Rodrigo Prazeres Saias. Faro | 1973. Licenciado (pré-Bolonha) em Design de comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Designer e ilustrador, com um percurso transversal pelas artes plásticas através do desenho como um fim em si mesmo.
Membro integrante da equipa original do atelier 004 (004 f*@#ing ideas), desenvolve o seu percurso gráfico através de projectos nas várias vertentes do design de comunicação dos quais se destacam projectos editoriais, expositivos e de sinalética.
Enquanto ilustrador colabora com alguns dos mais prestigiados jornais portugueses, destacando-se ilustrações para capas dos jornais Público e Diário de Notícias, bem como colaborações regulares com as Revistas Egoísta, Index (suplemento semanal do jornal i) e revista Pública (suplemento semanal do Jornal Público). Nesta vertente, destaque ainda para a obtenção de um Merith Award da Society of Publication Designers (NY, USA) em ilustração. A nível editorial são também dignas de menção colaborações com as editoras D. Quixote, Porto Editora, Asa editores, Raíz Editora, entre outros.
Obteve mais de 30 prémios nacionais e internacionais pelo seu trabalho de design e/ou ilustração, com destaque para um Best Cover APEX Award (EUA) pelo design da capa da edição “Guerra” da Revista Egoísta.
Enquanto artista plástico desenvolve trabalho através do desenho de grande formato, como um fim em si mesmo, explorando, por vezes, técnicas, referentes e materiais não convencionais, como seja a utilização de sangue de animais como matéria pictórica.



