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Sunday, January 18, 2015

[ O Anjo do Saldanha #4 ]



A chuva voltou. E não foi só ao Saldanha… Não cai apenas sobre o anjo.
Ontem foi noite de temporal. Além da chuva, houve ventos fortíssimos. O manto verde da Serra de Sintra está abundantemente salpicado de árvores caídas.
Há três semanas, num passeio por esta serra perdi-me. Ao pôr do sol estavam já (apenas) seis graus, e eu ainda andava com a roupa escolhida para as 14h00 de uma agradável tarde de sol, e ainda a uns bons 9 ou 10km do local em que havia deixado o carro. Valeu-me uma boleia de um caridoso vendedor de fruta, da estrada de Colares (já próximo da Azóia), o qual quando eu disse que estava "a pé" e onde tinha deixado o carro, recusou deixar-me retomar o caminho e fez questão de me levar na sua carrinha até ao referido local, serra adentro.
Obviamente que fiquei muito grato a este novo amigo. Hoje atravessei novamente a serra para lhe ir levar um modesto contributo para o seu jantar, sob a forma de uma garrafa de um tinto alentejano. Hoje, a dada altura, percorrendo um caminho florestal, vi-me obrigado a uma marcha-atrás de aproximadamente 1km depois de ver a progressão impossibilitada pela existência de três árvores caídas por efeito dominó, transversalmente à minha rota.
As árvores do Saldanha não cairam com este vendaval. O verdadeiro perigo são os carros.
Cuidado ao atravessar!!!

Wednesday, December 24, 2014

Thursday, November 27, 2014

[ A minha História de Portugal #1 ]




"06 de Novembro de 1810: 17h02m. Os dias são já tristemente mais curtos. As horríveis noites são demasiado longas. A humidade dos bosques de outono entranhou-se definitivamente na roupa e nos ossos. Os dias sucedem-se sem uma nesga de sol que ajude a secá-los.
Assim que paramos de nos mexer, algo que o corpo pede permanentemente, o frio instala-se numa questão de minutos. Se não nos obrigarmos a algum movimento, rapidamente começamos a tremer sem conseguir parar… É isso que explica o deambular lunático de alguns de nós, em torno do amontoado de espingardas e mochilas, sem motivo aparente… Mas sim, estamos loucos.
À noite, no entanto, a exaustão obriga-nos a deitar por algumas horas. Apesar de estarmos colados uns aos outros para aproveitar o pouco calor emanado da trouxa malcheirosa que é o nosso camarada do lado, e embrulhados na nossa manta de campanha, juntamente com outra que tenhamos eventualmente conseguido roubar a um morto… trememos sem fim. Dormir torna-se impossível.
Amanhã será mais um dia de exaustão. Ao cansaço que já trazemos hoje às costas, somar-se-á o de mais uma noite implacável, sem pregar olho. Dormiremos depois durante o dia, por pequenos períodos de paragem nas tarefas que os ingleses nos distribuem.
… Espero que saibam o que estão a fazer, e que Massena não consiga o que Junot e Soult já tentaram.
O que mais quero é voltar à aldeia e abraçar a minha mãe.
… Como sinto a falta da segurança reconfortante das noites à lareira, a ouvir estórias banais do antigamente…
Deus Nosso Senhor me ajude a sobreviver inteiro a este inferno."