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Thursday, June 27, 2019

[ Wallpainting ]



Mais uma incursão à "ilustração" de paredes…
Desta vez o suporte é a parede posterior da sala de produção da DigitalMix Música e Imagem.
A cena que representei tem por base um instantâneo imaginário decorrente numa cidade cosmopolita ocidental contemporânea.
Na rua está frio. Há uma névoa que torna o ar denso e reduz a nitidez das zonas distantes da perspectiva abrangente.
Numa esquina movimentada, uma street band faz mais uma das suas actuações… Há quem pare para ver o espectáculo.
Esta zona do quarteirão é preenchida por um grande cineteatro, possuidor de uma daquelas palas que, em toda a altura do seu perfil exibe, em grandes letras vermelhas, os nomes dos espectáculos/filmes que apresenta na altura.
Neste dia é a vez de "24 Hour Party People" – filme que relata a história da fase mais conhecida da vida do produtor Tony Wilson, com ênfase na criação do mítico clube musical de Manchester "Hacienda", e na sua editora "Factory Records", e que tão relevante papel teve nas carreiras de bandas como "Joy Division", "New Order", "Sex Pistols", "Durutti Column"…
Em primeiro plano é visível, quase a desaparecer pelo lado direito da imagem, um carro amarelo… talvez um taxi.
Mas a parte principal do boneco consiste na interacção entre o vocalista da banda e uma moça que percorre, decidida, o limite do passeio. Ele tirou respeitosamente o seu chapéu de abas da cabeça, e dirige à bonita transeunte ruiva de cabelos ao vento, uma vénia dedicada, enquanto continua a entoar para a assistência a letra da canção… Aparentemente indiferente a esta abordagem, ela segue o seu caminho, transportando à cintura, em jeito de homenagem/manifesto revivalista, o icónico walkman amarelo e azul repescado directamente dos anos 90 do século passado.
O cabo amarelo de áudio transmite aos seus delicados ouvidos a OST de "FlashDance"… é esse ritmo que lhe marca a passada e define o sorriso… a sua t-shirt ostenta, cravadas em lantejoulas, duas palavras que a definem, a ela, e em particular ao seu estado de alma neste dia – MISS MUSIC…

A impressão e aplicação estiveram a cargo da fantástica OCYAN.

Friday, June 21, 2019

[ Bela, a rainha má # 9 ]


"Mas um facho do sol de Maio, esgueirando-se pelas
nuvens cinzentas, veio fender o cristal do caixão onde eu
jazia. Saído da bruma, avançou ao meu encontro o príncipe
de sempre, guiando pela arreata uma égua branca, de crinas
que varriam as violetas do chão. Beijou-me os lábios,
correu-me o sangue nas veias, e respirei na vida que ao
meu corpo voltava."

Thursday, June 13, 2019

[ Bela, a rainha má # 8 ]



"E ali fiquei, sujeita às neves eternas que me secavam
as entranhas. Em meus sonhos perpassavam punhais, e uma
maçã num espelho. Sete anões avançavam do fundo da treva,
bufando de cólera, rebolando-se de riso, e a esguichar
imundícies pelo buraco de trás. Não cessavam as gralhas de
voejar, ensombrando-me o rosto quieto, e mais rosadinho do
que nunca, debaixo da tampa que me cobria.
"

Saturday, June 8, 2019

[ Bela, a rainha má # 7 ]



"E deitei-a numa tina de mármore, rasgando-lhe pulsos e
tornozelos com um estilete de oiro de lei. À medida que
a menina se esvaía em sangue, iluminada pelas tochas que
eu acendera, dissolvia-se-lhe o corpinho até por completo
se sumir. Meti-me naquele líquido, e deixei-me adormecer dentro dele."

Tuesday, June 4, 2019

[ Bela, a rainha má # 6 ]



"Pus-me a caminho, atravessei matagais, descortinei o
casebre, bati à porta, e entrei. A rapariga cozinhava
as papas que os anões apreciam, dessas que se comem com
colher de pau, e que neles provocam os puns com que tanto
se divertem. Estendi-lhe a maçã, e logo o gelo reocupou olugar do meu coração.

Mal a trincou, caiu Cinda morta, e as gralhas não
paravam de gritar por cima de nós."

Thursday, May 30, 2019

[ Bela, a rainha má # 5 ]



"À frente do espelho, e numa noite de Verão, botei-me a
saborear aquele fruto de maravilha. Uma chama crepitava
no meu ventre, e um rubor coloria-me as faces. A rainha
que eu olhava ia-se despojando do seu manto de damasco,
dos seus colares de brilhantes, e da própria coroa que lhe
cingia a fronte. E a que eu fora reaparecia, semelhante aCinda, a sorrir nos verdores da juventude."

Tuesday, May 28, 2019

[ Bela, a rainha má # 4 ]



"Partiu outra vez para a guerra o rei, meu marido,
e fiquei por meses e meses abraçada a mim mesma. No
anoitecer em que trouxeram a notícia da sua morte, varado
pela lança de um plebeu, houve chuvas abundantes que
vergastaram as macieiras. Rolaram por terra os frutos,
mas na árvore mais franzina manteve-se uma maçã, uma só.
Metade vermelha, e metade amarela, nunca eu vira tão
bonita. E colhi-a, acheguei-a à língua da víbora para quea picasse, e à cauda do lacrau para que a mordesse."