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Thursday, January 6, 2022

Egoísta Natal _ Edição especial


POST SOUNDTRACK

Ainda não a vi impressa, mas a mais recente edição especial da Egoísta já anda por aí.
O tema é "Natal".
Esta ilustração acompanha um texto da cantora e compositora Márcia, sobre a verdadeira harmonia dos natais da infância. Eu, no meu exercício ilustrativo, fui transportado pela sua construção narrativa aos meus harmoniosos e distantes natais de infância.
Aqui fica o resultado.
No site da revista encontra-se uma pequena referência biográfica de cada colaborador. 
A minha já tem alguns anos. Numa perspectiva de aferição de actualidade entreguei-me à sua leitura… e aqui a reproduzo.
… com votos de BOM ANO ; )


Edição Especial . Natal



Rodrigo Prazeres Saias. Faro | 1973. Licenciado (pré-Bolonha) em Design de comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Designer e ilustrador, com um percurso transversal pelas artes plásticas através do desenho como um fim em si mesmo. 

Membro integrante da equipa original do atelier 004 (004 f*@#ing ideas), desenvolve o seu percurso gráfico através de projectos nas várias vertentes do design de comunicação dos quais se destacam projectos editoriais, expositivos e de sinalética.

Enquanto ilustrador colabora com alguns dos mais prestigiados jornais portugueses, destacando-se ilustrações para capas dos jornais Público e Diário de Notícias, bem como colaborações regulares com as Revistas Egoísta, Index (suplemento semanal do jornal i) e revista Pública (suplemento semanal do Jornal Público). Nesta vertente, destaque ainda para a obtenção de um Merith Award da Society of Publication Designers (NY, USA) em ilustração. A nível editorial são também dignas de menção colaborações com as editoras D. Quixote, Porto Editora, Asa editores, Raíz Editora, entre outros.

Obteve mais de 30 prémios nacionais e internacionais pelo seu trabalho de design e/ou ilustração, com destaque para um Best Cover APEX Award (EUA)  pelo design da capa da edição “Guerra” da Revista Egoísta.

Enquanto artista plástico desenvolve trabalho através do desenho de grande formato, como um fim em si mesmo, explorando, por vezes, técnicas, referentes e  materiais não convencionais, como seja a utilização de sangue de animais como matéria pictórica. 

Wednesday, August 25, 2021

[ Falácia ad populum ]

 


 

POST SOUNDTRACK

https://www.youtube.com/watch?v=YF1eYbfbH5k



Estes dois senhores ilustram, a 4 mãos, uma página do novo manual de Filosofia da Porto Editora, para o 10° ano. O livro tem como título “Em Questão _ 10”, e eu tive o enorme prazer de contribuir para a sua construção com alguns dos meus bonecos.

Estes dois cidadãos fazem um número em conjunto, articulando-se em zonas diferentes da mesma página, e as suas acções completam-se narrativamente.

Proponho que, ao de baixo chamemos visionário iluminado… ao de cima céptico patológico.


Em vários momentos da história da espécie Homem-macaco – a nossa, pois claro – puderam os espectadores desta épica novela com episódios de duração multimilenar, assistir ao desenrolar de dramáticas cenas de ruptura com as ideias então vigentes na acção dos tempos em causa. Essas rupturas foram protagonizadas por algumas personagens visionárias iluminadas, e, em clara colisão frontal com o papel de algumas personagens cépticas patológicas.

Num primeiro momento, como que em ar de primeiro recurso reactivo, a maioria dos segundos, dirigiu aos primeiros, a tal animação digital, consistente na deslocação de apenas um dedo (o indicador), descrevendo um pequeno círculo com rotação em sentido horário, num movimento ligeiramente afastado da cabeça, ao longo da linha de perímetro de uma das suas próprias têmporas.

… maluco, … louco, … tolinho (entre outros possíveis e eventualmente menos cândidos adjectivos).

Em alguns desses casos, a coisa acabou por correr muito mal para os visionários iluminados neles envolvidos.

Quando aconteceu alguns dos cépticos patológicos estarem sentados em tronos de poder – ou por vezes, tão somente rastejarem ao seu redor – desses cadeirões terão chegado a ser proferidas sentenças de morte.

Diz quem estuda estas coisas, que este tipo de reacção extrema de aniquilação do outro que tem ideias diferentes, aponta no sentido da incapacidade estrutural da personalidade de alguns, para conviver com a diferença desses outros, sendo essa incapacidade desenvolvida nas fases primeiras da formação da estrutura moral do indivíduo. Infelizmente, ao longo da história, essa incapacidade de alguns, tem estado presente em demasiados casos bicudos da diversidade humana. 

Assim se explica, evidentemente, o aparecimento de vários …ismos e …fobias.

Se do lado dos cépticos patológicos se encontra a cegueira, a intransigência, e por vezes mesmo o derramamento de sangue, do lado dos visionários iluminados estão, com muita frequência, os grandes progressos morais, sociais, e científicos. Posto assim, é fácil escolher qual dos grupos de seguidores não engrossar.

A frequência com que, ao longo da história conhecida do homem-macaco, esta dualidade antagónica eclodiu, com consequências mais ou menos trágicas consoante a elevação de valores e a lucidez dos intervenientes, permite talvez concluir que este processo fará mesmo parte das características do movimento de progressão da espécie.

Mas uma outra perspectiva parece emanar desta análise… A da fragilidade das certezas.

O objectivo desta linha de raciocínio não é o de advogar a negação permanente das ideologias tidas como materialidade do conhecimento… É sim, a defesa de uma maior disponibilidade para considerar perspectivas alternativas, estruturantes de novas materialidades, eventualmente conducentes a uma maior solidez das áreas de conhecimento a que se referem. 

Frequentemente, estas novas perspectivas implicam a ruptura de todo o tecido teórico e argumentativo das concepções anteriores, mas, imediatamente (ou a mais longo prazo), permitem a subsequente elaboração de uma construção ainda mais forte, e mais abrangente.

Ei-lo então a dar-se… o progresso (a progressão).


É altamente apelativo o conforto da cosmogonia instalada.

Como é incómodo o abanar dos seus alicerces.


A fatia da humanidade que se move na dianteira moral da espécie, já percebeu, contudo, que não pode enforcar ou queimar pessoas na fogueira, ainda para mais por terem meramente ideias diferentes das suas “certezas” (cosmológicas, religiosas, raciais, sexuais, políticas, etc.). Já percebeu também que, não raras vezes, veio a verificar-se que as vítimas dessas tentativas bárbaras de anulação de pensamento, estavam afinal certas na sua argumentação, ou, tão simplesmente, constatou que, independentemente da ideologia defendida pela vítima, estava então nesses momentos, a restante comunidade, totalmente apartada da bendita razão, tendo então esses actos, sido motivados apenas pela mais abjecta intolerância à diferença.

Na verdade, após considerar a história da evolução das ideias estruturantes, a única postura lúcida a adoptar, é a da permanente disponibilidade benevolente para analisar propostas alternativas a tudo e mais alguma coisa… desde que estas estejam devidamente fundamentadas.


Aqui, de onde contemplamos o estado actual do panorama humano, essa evidência é impossível de ignorar.

Na minha qualidade de criador de imagens, proponho-me agora ilustrar brevemente este raciocínio… ainda que com letras em vez de traços.


Do passado chegam ecos que obrigam a reformulações frequentes das certezas históricas actuais. 

Exemplo: Muitos cépticos patológicos sofreram convulsões quando em 1995, Klaus Schmit descobriu Göbekli Tepe, na Turquia, vendo assim fortemente abaladas as "certezas" sobre a pré-história da humanidade, e fazendo recuar em milénios, o início do megalitismo elaborado, e consequentemente, vários aspectos estruturantes das comunidades humanas complexas. 

Que outros alicerces históricos irão ainda abanar ou ruir, quando Sacsayhuaman, Ollantaytambo, Puma Punku, Tiwanaku ou Balbek revelarem os seus segredos? 

Quanto teremos ainda que mudar nas nossas certezas relativas ao passado da humanidade? 

Há claramente que manter a mente aberta.


Considerando agora exemplos vindos do outro extremo da linha temporal.

Escrevo estas linhas muito pouco tempo depois da divulgação do mais recente relatório da IPCC (The Intergovernmental Panel on Climate Change). O futuro climático está a bater-nos à porta… mas… com um martelo pneumático. Aqui, em matéria de abanão a certezas instaladas, não estou a considerar as discussões sobre a existência ou não de uma relação entre as alterações climáticas e a acção humana… Parecem-me assumir uma relevância mais produtiva, as considerações sobre a necessidade de uma nova ordem mundial que encare os graves problemas de certas partes do planeta, como aquilo que verdadeiramente são, ou seja, problemas e desafios de âmbito global, e não apenas local (restritos à localização geográfica da sua origem). Essa concepção tem que ser cega a fronteiras, raças, economias e credos… Acredito que o nacionalismo do futuro terá forçosamente que ser apenas cultural, e que, a fundamental concertação de políticas direccionadas para o interesse e solidariedade globais, irá eventualmente conduzir a humanidade a algo muito próximo do governo comum, com todos os desafios que isso representa, e do qual a União Europeia é um modesto tubo de ensaio.

Mas as oscilações climáticas não são novidade neste planeta, e, como é bem sabido, não pertencem apenas ao nosso futuro. No entanto, as "certezas" sobre os contornos da sua amplitude no passado, parecem carecer de mais definição.

O grande dilúvio, referido por aproximadamente 150 culturas da antiguidade, até aqui mantido com toda a "certeza" no domínio das narrativas mitológicas, poderá brevemente ser decalcado para o registo histórico, pelo fenómeno conhecido por “Younger Dryas”. Parece ser este o evento responsável pelas gigantescas cicatrizes terrestres, associadas às transferências de estado físico de boa parte da água presente no planeta, oscilando entre glaciação e alagamento, e provocando eventos dramáticos como a extinção da megafauna planetária. 

Gigantescas mudanças climáticas operadas em muito pouco tempo… Graças ao relatório da IPCC esta fórmula já não é estranha aos vulgares cidadãos das comunidades humanas da actualidade, não é?


Este texto tornou-se entretanto confuso… No mesmo parágrafo estão já enleadas de forma indissociável, referências ao futuro e ao passado. 
Inicialmente era minha intenção construir um texto bem organizado, compartimentado, distribuindo as temáticas pelo tempo… de forma ordeira… com método.

Mas, como já bem sabemos, o registo histórico é propício a este tipo de novelos. Avanços, retrocessos e realidades que se repetem.

Perdida que está essa coerência, vou então abraçar e aprofundar a confusão, não resistindo a mais um exemplo de um potencial gigantesco abalo a certezas instituídas… desta vez de carácter transversal, no que diz respeito a foco temporal. Este abalo materializa-se no já famoso USS Roosevelt Gimbal vídeo e tem réplicas nas respectivas conclusões daí emanadas. Quantas das nossas certezas sobre passado, presente e futuro estarão aí em risco de ruir?

Cépticos patológicos… buckle up your belts… 

… Esse indicador direito vai ter ainda muito que rodar… Assim haja tempo.

Monday, August 16, 2021

Wednesday, June 16, 2021

Friday, June 11, 2021

[ Noite no Museu _ Primeira noite ]



POST SOUNDTRACK

Sobre a magia de, ainda com a inocência de criança, passar a primeira noite ao lado de alguém que é, para nós, especial. 
Partilhar algo tão reservado como o sono, em pijama… 
Algo que até aí esteve exclusivamente associado ao recanto físico mais resguardado da nossa existência… a nossa cama. 
E ainda… que durante as próximas horas, nada nem ninguém vai quebrar essa proximidade, e que, durante esse período de tempo, não precisamos lutar constantemente para reconquistar a estreiteza dessa distância.
Foi-nos concedida até ao próximo amanhecer…
Oxalá demore a chegar… 

Monday, June 7, 2021

[ Os Judeus casamenteiros ]

 



Os dois judeus ilustrados neste boneco, poderiam ser habitantes da Jerusalém dos tempos modernos, e, com a linguagem corporal representada, mostrarem-se assim abismados com a presença flutuante do OVNI que por volta da 01:00h da madrugada de 28 de Janeiro de 2011, pairou sobre a cúpula do templo existente na formação geológica denominada de, pasme-se, "monte do templo".
Após pairar imóvel por instantes, o objecto elevou-se verticalmente a uma velocidade estonteante, desaparecendo no céu escuro dessa noite.
Existem 5 registos em vídeo desse episódio, com origens diferentes, e estão todos disponíveis na grande plataforma caracterizadora de uma parte considerável daquilo que se pode definir como, legado da humanidade… plataforma essa chamada youtube.
Nenhum desses vídeos foi captado por nenhum destes dois personagens, os quais contemplam então, e apenas, a janela quinhentista de Inês Pereira, situada na rua imaginada pelo brilhante Gil Vicente, para o universo ficcional por si criado, no âmbito da construção da "Farsa de Inês Pereira".
À semelhança de Jerusalém também os caminhos desta narrativa são percorridos por personagens de diferentes credos e origens.
As suas interacções são no entanto bem mais pacíficas do que as observáveis actualmente nas ruas da cidade três vezes santa.
O episódio que referi nas primeiras linhas deste texto, ter-se-á passado num quadrante muito específico dos céus da cidade, e poderá ser interpretado como um atestado de relevância, numa determinada narrativa cosmogónica, e transtemporal.
Mas, não só nos céus de Jerusalém se atesta essa relevância. O subsolo da cidade exibe outro tipo de testemunhos.
A estrutura do "muro das lamentações", coloca-o no conjunto de monumentos do mundo, que ostentam indícios de que a história das civilizações do nosso planeta terá que vir a ser reescrita, em função de uma interpretação mais rigorosa dos vestígios que nesses locais é possível observar.
Num determinado troço da referida edificação encontra-se, embutido na estrutura, um monólito ortogonal, com aproximadamente 13 metros de comprimento x 3,7 metros de altura x 4,3 metros de largura, cujo peso está calculado em… aproximadamente 600 toneladas. Estes valores numéricos são impressionantes, mas, para ajudar a interiorizar a enormidade aqui em causa, poder-se-á dizer que este peso será o equivalente ao de dois aviões Jumbo 747, com passageiros e bagagem a bordo.
Este monstro estrutural encontra-se (como habitualmente nestes locais), articulado com os pedregulhos vizinhos, com precisão milimétrica, e sem recurso a qualquer tipo de cimento ou argamassa de qualquer tipo ("construção seca").
A título de nota refira-se que esta barbaridade não é única no planeta. Não é nem sequer a maior. Na verdade, é conhecida a existência em outras partes do mundo, de monólitos ortogonais talhados com o dobro do peso, e até mais (Balbeque, Líbano – aprox. 1500 toneladas).
Apesar da boa vontade voluntariosa da arqueologia, incansável na tentativa de explicar a produção e manuseamento destes blocos, a engenharia actual tende a deitar por terra todo esse discurso, esmagando-o com o peso dos números envolvidos.
A simples presença deste tipo de módulo edificativo num determinado local, é então suficiente para tornar esse local, digno de referência.
Na cidade 3 vezes santa, essa relevância afirma-se com evidência, embora por outros motivos mais significativos para a história da humanidade, ainda nos dias de hoje, e perante todos nós.
Em muitos desses outros locais, essa relevância esbateu-se, ou diluiu-se mesmo integralmente, e aguarda uma nova revelação que será trazida pelo entendimento de tempos que, infelizmente, ainda parecem distantes no futuro.
Estou convencido de que o futuro trará também uma outra realidade à cidade de Jerusalém. Quando a humanidade aceitar que a solução dos problemas planetários não se compartimenta em fascículos fechados em fronteiras, e as vivências religiosas, se espartilhadas, não conduzirão à máxima amplitude do espírito.
Nessa altura, a tripla santidade de Jerusalém fundamentar-se-á nos pontos de contacto entre religiões, e na relegação das diferenças para segundo plano, ao invés do panorama contrário observável na actualidade. 

Latão e Vidal, os dois personagens judeus, por interesse próprio apresentam a Inês um escudeiro fanfarrão, constituindo-se como ponte na união destas duas almas cristãs. O escudeiro conduzirá depois Inês à infelicidade, e, posteriormente, na guerra, virá este a ser morto por um pastor muçulmano.

Até lá… até esse tal futuro, o caminho parece ainda infelizmente longo, sofrido e sombrio…
… a menos que venhamos a ter uma ajudinha de fora… ; )