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Saturday, January 2, 2010

[ Antes de ser Feliz ] #4

(…)
Está a ver aquela bicicleta à chuva? É o que me resta dela.
Andava nela de manhã antes do almoço e depois à tardinha quando o sol começa a pregar partidas e a luz parece rarefeita, um acaso de cores. Dizia que ia ver o que se passava no mundo. E o mundo tinha três quarteirões, uma praça, um coreto com ferrugem ainda assim a dar graça às casas que o espreitavam e ouviam a banda nos dias de festa.
(…)
Patrícia Reis

[ Antes de ser Feliz ] #3

(…)
Isso sim, satisfazia-te. Abandonar a folia da noite em direcção ao mar a falar um francês caseiro ou um inglês perto do fraco. Contavas a história do costume. Sim, ainda a sei.

O meu avô trabalhou na construção do edifício do casino, trabalhou como artista convidado, não era um simples pedreiro
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Patrícia Reis

[ Antes de ser Feliz ] #2

(…)
Vim aqui para morrer. Cheguei hoje.
A Figueira da Foz surgiu-me sem rasto de fim de mar, abismo de antigos pescadores e outras almas de fortuna e fé. É um décor, tinhas dito a rir, um dia num pequeno restaurante, a depenicar peixinhos da horta, os dentes brancos numa aparição quase obscena. Pareceu-me, então. Nada do que aqui se passa é real. A terra que não existe.
(…)
Patrícia Reis

[ Antes de ser Feliz ] #1


"Antes de Ser Feliz" é mais um belíssimo livro da Patrícia, o qual, para meu grande prazer ela me desafiou a ilustrar. O livro foi escrito a pedido do Casino da Figueira da Foz e a narrativa contém várias referências à cidade. Também alguns desenhos representam locais específicos da região.
A ler…

Friday, December 11, 2009

[ A vocação da Natureza ]

"Tudo começou com essa ideia de que estava deprimida. E deprimida era estar horas em frente à televisão com um pacote de gelado de formato familiar. A única coisa familiar na sua vida? O pacote de gelado. Triste, mas verdadeiro. Quase de uma banalidade aflitiva, ela que não apreciava clichés.
O gato escapou-se pela janela e dizem que o viram no passeio, estatelado, ainda a arfar. A porteira explicou tudo em detalhe e aplicando diminutivos irritantes.(…)"

Patrícia Reis

Capa "Natureza"


A EGOISTA 41 já anda por aí. O tema é "Natureza". A capa é uma "natureza MORTA". A imagem da capa é uma ilustração vectorial, construída em outline preto de traçado muito fino, sobre fundo branco. Está carregada de uma frieza quase cirúrgica. Ao folhear as primeiras páginas surge o seguinte texto:

"A natureza ainda não está morta… MAS já não lhe restam muitos anos de vida : ( "

Enquanto designer e ilustrador espero mesmo que alguém pense um bocadinho sobre isto.

Numa perspectiva meramente técnica… Esta ilustração não vale por si só. O conteúdo da sua mensagem só se completa no fim da frase citada, quatro páginas depois. Este tipo de entrosamento entre o design e a ilustração e os jogos que o mesmo possibilita são fascinantes e contribuem para um maior dinamismo de layout. A linguagem em que a ilustração foi elaborada potencia a ideia. Como já referi está carregada de frieza. O layout é cool e depurado… muito pouco natural.
Mas afinal trata-se de uma natureza MORTA… ou pelo menos de uma à qual já não restam muitos anos de vida.

Thursday, September 10, 2009

[ A Varejeira ]


Assim este blog não avança… MAS é por bons motivos. Passo a explicar. Há uns meses que ando atarefado com desenhos, só que tenho por princípio não publicar online enquanto o trabalho encomendado não sair no meio para que foi originalmente concebido. Assim, existem já ilustrações de um livro (capa e miolo) e ainda algum material para uma colecção de suportes sobre higiéne e segurança no trabalho, prontinhos a colocar aqui… MAS que ainda não foram disponibilizados ao público.
Entretanto saiu mais uma EGOISTA. A n° 40. O tema é… "A CRISE". Lá pode-se encontrar "A varejeira", um belo texto de Mário Santos.