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Saturday, July 21, 2018

Vieira de Castro _ 75 anos



Vieira de Castro celebra 75 anos

A conceituada marca portuguesa Vieira de Castro celebra este ano o seu 75º aniversário.
Com um percurso marcado pela combinação de experiência e inovação, e sendo autora de produtos icónicos para várias gerações, a Vieira de Castro dedica o ano de 2018 à realização de um conjunto de acções comemorativas desta data.
As celebrações tiveram início no dia 21 de Março, com um concerto comemorativo dedicado, na Sala Suggia – na Casa da Música, no Porto.
Na comemoração estiveram presentes os actuais e anteriores colaboradores, familiares, parceiros e amigos…
Durante o evento decorreu também o lançamento do livro comemorativo A História do Nosso Sabor ao qual eu tenho o gosto de estar associado, por duas vias. Por um lado o livro foi desenhado na 004, pela mão da minha colega designer Joana Miguéis. Fui espectador dos processos de nascimento e crescimento deste objecto de comunicação, do qual resultou um livro muito bonito, distinto e marcante, pelo qual a Joana e também a Sara Fortes da Cunha (nossa super produtora) estão de parabéns. Por outro lado, tenho o privilégio de ser o autor das ilustrações presentes no referido livro.
O meu trabalho, na perspectiva de uma articulação ideal com as diferentes tipologias de conteúdos patentes no livro, foi desenvolvido através de desenho a preto com coloração em tons de cinzento.
Irei mostrar aqui este trabalho ao longo das próximas publicações.
Começo, em jeito de homenagem, pela ilustração do retrato do fundador da empresa – António Vieira de Castro – 2018 seria o ano do seu centésimo aniversário.
Fundada em 1943, e sediada em Vila Nova de Famalicão, a Vieira de Castro associa à sua componente familiar – focada no espírito de equipa e numa forte proximidade com toda a estrutura – uma componente internacional marcando presença em diversos mercados estrangeiros.
A empresa constitui-se como uma referência não só em termos empresariais, mas também no que respeita às vertentes humana e social. 
Sou especialmente sensível a estes dois últimos aspectos, sendo assim para mim um enorme motivo de contentamento o facto de ver o meu nome associado a um momento tão significativo da história de uma empresa com estes valores.

Friday, May 11, 2018

Verão na 004




O Verão chegou à 004!
Este boneco chama-se "Verão". Teve a sua primeira versão em 2003, e é alusivo aos fins de dia passados na praia, de costas deitadas na areia, contemplando o bailado das gaivotas contra o brutal azul do céu. Uau…
De asas imóveis, sustentando-se apenas no aproveitamento da brisa que corre lá no alto, e a partir de uma bio-engenharia de voo fascinante, que lhes permite, ora manterem-se practicamente no mesmo lugar, ora mergulharem em voos picados de curso amplo e elegante… tudo sem um único batimento de asas…
…fascinante.
O inverno foi frio e chuvoso. Fazia falta, e ainda bem que veio assim… MAS… tamanha sucessão de dias negros começava a afectar-me.
Agora é primavera, e, para o mês que vem, o dia mais comprido do ano ancorará o verão no calendário.
Como habitualmente, já demolhei repetidamente o corpo em água salgada. Este ano foi mais tarde do que nos anteriores. Fevereiro, Março e Abril não o permitiram. Os tempos meteorológico e cronológico revezaram esforços para o impedir… mas apenas conseguiram adiamentos ; )
A Patrícia sugeriu-me homenagear a estação na parede da entrada, afixando este boneco. O original de 2003 precisou de uma volta para adquirir resolução e detalhe suficientes que lhe permitissem preencher com dignidade uma área tão grande. Assim foi… redesenhar e recolorir.
A montagem do vinil esteve a cargo da mais uma vez irrepreensível OCYAN.


Wednesday, January 3, 2018

Hänsel & Gretel redux # 2



Wilhelm Grimm tinha dormido mal nessa noite. Acordara de madrugada, por volta das 4h00 e já não voltara a pregar olho.
Corria o inverno de 1811. Na verdade, era já Dezembro. Podiam contar-se pelos dedos de uma mão os dias que faltavam para o natal.
As noites eram gélidas… especialmente quando batidas pelo vento nordeste que, com uma habilidade estranha, conseguia entranhar-se no emaranhado de casas, e chegar inclusivamente a varrer o próprio centro da cidade.
Wilhelm não se deitara cedo na véspera. Quando o fizera estava mesmo bastante cansado. Ao entregar o corpo à cama o sono resgatara-o com alguma facilidade.
A existência alternativa enformada pelo mundo dos sonhos levara-o a deambular por bosques sombrios. Quando a sua viagem mental parecia embalada por um ritmo ameno e constante, algo tinha corrido mal… muito mal. Não tinha sido a escuridão da floresta… Wilhelm adorava os passeios de outono pelo emaranhado vegetal dos arredores da cidade, e acolhia com agrado a nostalgia que na sua alma se entranhava durante essas caminhadas… A interrupção do seu sono devera-se sim à aparição súbita da figura de uma velha bruxa que de repente se apoderara dos destinos do seu pensamento involuntário. Depois disso tinha sido impossível voltar a adormecer. Havia tentado o velho truque de procurar empurrar o pensamento para coisas agradáveis… Tentara também concentrar-se na sua própria respiração, na tentativa de se perder na abstração de tal tarefa que o seu organismo realizava sem pedir licença, e assim voltar a adormecer, mas também este truque não surtira efeito. Em desespero tentara ainda perder o seu pensamento na formosura voluptuosa de Dietlinde Hermann, a jovem professora de cravo, que habitava e dava aulas, três portas antes da de Wilhelm. Este era mesmo o último recurso de Wilhelm… e era mesmo bem provável que tivesse também contribuído para a espertina irreversível que dele se apoderara.
Quando os barulhos da rua se tornaram incompatíveis com o simples estar deitado na cama, o calor do amontoado de lençóis e mantas já não era suficiente para o prender ao leito.
Levantou-se… dirigiu-se decidido à escrivaninha que estava encostada à janela… sentou-se… Iria escrever um conto…

Friday, December 22, 2017

Hänsel & Gretel redux




Os manos Grimm eram um bom par de psicopatas.
As suas histórias para "crianças", são compostas por personagens bizarras com comportamentos terríveis, e que acredito, devo dizê-lo, não resistiriam certamente ao crivo crítico da infância instruída da actualidade. Boa parte daquele empilhado trémulo de eventos narrativos estranhos, colapsaria perante uma breve análise de qualquer uma das nossas electro-digi-crianças do mundo de hoje.
Aquela conversa pegaria bem junto dos pequenos de inícios de 1800… sem acesso a telemóveis nem a play stations, e vivendo num mundo com muito pouca rede, ou pelo menos com sinal fraco em grandes áreas do planeta… Mas hoje em dia, não colheria créditos ao ser declamada nos nossos infantários repletos de sagazes micro-génios.
Senão vejamos:
– A madrasta ordena ao pai que se veja livre dos filhos e… ao senhor parece-lhe tudo bem. Toca de pegar nos infantes e conduzi-los até ao meio da floresta escura, para de seguida os abandonar e regressar sozinho para os braços e abraços da sua nova senhora… mmmmmmm
– A bruxa da casa de chocolate e guloseimas, frágil de velha e desprovida de visão para a maior parte das tarefas do dia a dia, avalia diariamente o patamar de engorda do rapaz engaiolado através da apalpação de um dos dedos da sua pequena mão… Contudo não se apercebe que o que lhe é diariamante estendido não é um dedo sapudo mas sim um magro e seco osso de galinha… mmmmmm
– O ganso leva os manos à vez, deixando um deles sozinho e abandonado aos perigos da floresta, enquanto transporta o outro no seu lombo… mmmmmm
– Mas o final é que é verdadeiramente surpreendente: as crianças, depois de terem sido levadas duas vezes para o meio da floresta, com o objectivo de se perderem, mortalmente de preferência (deduzo eu), tendo numa dessas vezes feito uma travessia do inferno pela mão da bruxa canibal, quando finalmente fogem, voltam para onde?… para casa do pai claro está… o tal que à noite passeia filhos chorosos pela mão com o objectivo de os tresmalhar sem retorno… Que bela escolha meus pequenos.

Idependentemente de tudo isto não deixa de ser incrível como com tantos anos e gerações passados, estas estórias ainda continuam a fazer despertar na imaginação de cada um de nós, imagens mentais tão poderosas.
A Egoísta 62 já anda por aí e a Patrícia desafiou-me para este regresso ao universo fascinante dos irmãos Grimm… Chamámos-lhe (…)redux.

(por "… mmmmmm" entenda-se a ponderação reticente e semi-silenciosa do leitor sobre o grau de credibilidade merecido pela narrativa)

Wednesday, November 29, 2017


Quando se remexe na tralha acumulada ao longo dos anos descobrem-se relíquias.
O meu pai conseguiu encontrar o manuscrito original de "dás oliveira frutos"… o tal poema que encantou o maestro Lopes Graça, levando-o (a ele maestro) a compor música para tão poderosas e belas palavras, e a integrar o resultado no seu distinto repertório.
Pois o que o meu pai descobriu foi a folha amarelada de caderno de linhas – algo que se me perguntassem antecipadamente se era possível de ver acontecer eu atestaria com toda a certeza que não, que seria totalmente impossível de encontrar semelhante coisa no espólio de vida de semelhante talentosa mas desorganizada pessoa – cujo texto apresenta as diferenças de uma primeira versão, e as rasuras de algumas leituras críticas posteriores.
Esta descoberta foi nada menos que magia…
O documento fez as delícias dos talentosos e carinhosos membros do Grupo Coral de Queluz, que canta a peça já para mais de uma década, num maravilhoso encontro para o qual tiveram a generosidade de nos deixar participar enquanto acompanhantes do agro-poeta ; )

Já eu, remexendo a tal tralha (a minha) acumulada ao longo dos (meus) anos, descubro muito menos dignos documentos…
Não posso contudo ignorar a relevância deste boneco no meu percurso de ilustrador.
Corria o ano de 1994 (aprox.). Tomado da iniciativa e motivação de jovem universitário dinâmico, e profundamente embebido nas questões motivacionais do campo e da vida ao ar livre, ocorreu-me tentar conciliar os meus eventuais talentos de criador de bonecos, com a materialização de peças de comunicação dedicadas ao auxílio de quem trabalha nas práticas florestais. Assim, no âmbito de um trabalho escolar para a cadeira de design, dediquei-me à criação de um manual de príncipios básicos de operação de motosserras. Esta ferramenta era, à altura, a segunda maior causadora de acidentes graves relacionados com as práticas agrícolas e florestais.
Durante o trabalho de investigação para os conteúdos da referida brochura, dirigi-me ao então Instituto Florestal, na perspectiva de obter matéria prima e orientações para elaboração de um discurso útil, realista e de base factual.
Tive a enorme sorte de ser recebido por dois anfitriões magníficos e generosos – Engenheiro Pinho de Almeida, infelizmente já falecido, e Engenheiro José Gardete em quem tenho um daqueles amigos que a vida se encarrega de nos deixar ver pouco mas que reencontro sempre com grande alegria e gratidão.
Os três, iniciámos aí um longo processo que começou com uma partlha de informação e aconselhamento destes dois intervenientes para comigo, e acabou na impressão e produção pela direcção geral das Florestas (apenas em 1998) de uma edição do manual de recomendações escrito e ilustrado por mim, de acordo com a orientação técnica destes dois especialistas. Ao longo de várias reuniões de discussão e construção de conteúdos, bem como de apuramento técnico dos mesmos, estes tornaram-se nos meus primeiros clientes de um trabalho de ilustração. Estas foram na prática as minhas primeiras ilustrações concebidas com carácter profissional.
Que mais haverá para descobrir...