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Monday, July 21, 2014

[ A Anita manda nos homens #2 ]


(…)
"O jantar está uma merda!!! – rosnou bruscamente Rosemary como era hábito, sempre que trazia algum problema do trabalho."
(…)


Meet Rosemary… o ogre doméstico, em todo o seu explendor.
Esta representação da minha imagem mental da sedutora Rosemary é dedicada a todos os homens e mulheres que utilizam o recurso à corrosão do empenho e dedicação culinária da sua/seu companheira/o, como uma agressão, e uma forma de reduzir a sua auto-estima, bem como a segurança da sua personalidade. 
De facto esta manobra psicológica está presente em muitos lares da nossa praça, e encontra facilmente paralelo nas requintadas formas de tortura lenta e subtil de alguns sistemas opressivos.
A diferença é que neste caso o divórcio resolve a coisa e permite à criatura oprimida partir para refeições bem mais tranquilas.

Wednesday, July 16, 2014

[ A Anita manda nos homens #1 ]





" O seu coração agitou-se, 
enquanto Rosemary abocanhava o seu delicado sexo. 
Contraiu-se mas não conseguiu acautelar a ereção. Ela abusou tresloucadamente do seu frágil pénis."
(…)


O meu amigo João Lourenço convidou-me para ilustrar um texto de Frederico Pinto, integrado no livro "27 acrobacias sobre (quase) a mesma coisa – igualdade de género contada e ilustrada".
O título é extenso mas, o tema é tudo menos reduzido.
A minha ilustração é baseada na curiosa inversão de papéis proposta no texto do Frederico, e é o meu modesto contributo para esta iniciativa da ESDIME, de promoção da igualdade de género. 
O meu manifesto é, não pela igualdade dos géneros (só Deus sabe como valorizo as diferenças entre nós), mas sim pela interiorização individual da igualdade de direitos contemplada nas leis do mundo ocidental, pelo respeito mútuo e equiparado para e por ambos os géneros, e, pela valorização da contemplação maravilhada perante as diferenças que nos aproximam.

Friday, May 30, 2014

[ Auto da Índia #01 ]


Estou de volta a Gil Vicente.
Corria o ano de 1509 quando Gil Vicente viu, pela primeira vez, o seu Auto da Índia ser apresentado publicamente. 
Na audiência estava nada menos que uma Rainha: D.ª Leonor.
A acção desta peça desenrola-se no espaço da casa de uma mulher adúltera, Constança, entretida com dois relacionamentos extra-conjugais durante a ausência prolongada do marido, nas peleias pelas riquezas das Índias.
O enredo é mais uma vez bastante ousado, ainda para mais, tendo em conta que estamos numa época em que a influência da igreja católica nas várias dimensões da vida na sociedade portuguesa, era imensa (nada que demovesse o autor destas e de outras investidas).
Constança conta com a cumplicidade reticente da sua empregada doméstica, que alterna entre os favores dedicados à sua senhora, e as tiradas moralistas em defesa do amo ausente.