Friday, September 13, 2019
Wednesday, September 4, 2019
Saturday, August 10, 2019
[ Manifesto ilustrado de coerência ideológica ]
Coisas nossas que só as mães guardam…
A Senhora minha mãe, além de me enformar numa educação excepcional da qual eu, embora tente, não consigo estar à altura, e de me presentear com o património genético dos ilustradores (embora neste desenho ainda não se note), que flui abundantemente no sangue do seu forte ramo familiar, faz ainda o enorme favor de, de tempos a tempos, me pôr em contacto com o meu "eu" do passado, proporcionando eventualmente ao meu "eu" do presente, alegrias artisticas, ou, mais raramente, ideológicas e/ou morais como a de hoje.
Consistiu então esta prenda inesperada na apresentação de um exercício escolar que executei aos 9 anos. A rubrica chamar-se-ia "Novidade de fim de semana", e, aparentemente, consistiria na narração ilustrada de uma actividade marcante do fim de semana anterior.
Aqui vai então a transcrição do meu texto para este exercício:
"A minha novidade de fim de semana foi o filme às 2h20m O Resgate em O Mundo Maravilhoso de Walt Disney. Foi um filme que me pôs ainda mais contra a escravatura."
Ignorando os aspectos a melhorar ao nível da construção de texto, ou o engraçado preciosismo da anotação da hora, o que não me deixou de todo indiferente foi a coerência ideológica desta tenra criatura de 9 anos (o meu "eu" do passado), com o pensamento do meu "eu" do presente, em relação àquilo que é esse prego enferrujado cravado no pé da humanidade, chamado "escravatura".
Fiquei especialmente agradado com o pormenor textual de "… ainda mais contra… ", denotando claramente o aprofundamento de um sentimento já pré-existente, em função da experiência vivida nesse fim de semana.
Aqui fica então uma carinhosa saudação e um agradecido abraço ao meu "eu" ilustrador do passado (algo que, se bem me lembro, "o", ou, "me", teria deixado meio desconfortável).
É claro e evidente que o mérito de tão esclarecidas ideias em tão desmiolada cabeça, só pode cair (para minha grande sorte), sobre o denso manto protector constituído pelo ambiente familiar.
Obrigado e parabéns às raízes, tronco, ramos e folhas da minha árvore genealógica.
Saturday, July 20, 2019
[ O complexo de Cinderela ]
Ilustração para um belo texto de Tânia Ganho, publicado na EGOÍSTA "Era uma vez", com o título O Complexo de Cinderela.
O texto é sobre uma viúva com 65 anos, que, após uma vida de abnegação sentimental, decide recorrer ao sexo pago com um acompanhante masculino, opção essa que a conduz à amplificadora descoberta de uma paisagem física e emocional com contornos por si desconhecidos até então.
Thursday, June 27, 2019
[ Wallpainting ]
Mais uma incursão à "ilustração" de paredes…
Desta vez o suporte é a parede posterior da sala de produção da DigitalMix Música e Imagem.
A cena que representei tem por base um instantâneo imaginário decorrente numa cidade cosmopolita ocidental contemporânea.
Na rua está frio. Há uma névoa que torna o ar denso e reduz a nitidez das zonas distantes da perspectiva abrangente.
Numa esquina movimentada, uma street band faz mais uma das suas actuações… Há quem pare para ver o espectáculo.
Esta zona do quarteirão é preenchida por um grande cineteatro, possuidor de uma daquelas palas que, em toda a altura do seu perfil exibe, em grandes letras vermelhas, os nomes dos espectáculos/filmes que apresenta na altura.
Neste dia é a vez de "24 Hour Party People" – filme que relata a história da fase mais conhecida da vida do produtor Tony Wilson, com ênfase na criação do mítico clube musical de Manchester "Hacienda", e na sua editora "Factory Records", e que tão relevante papel teve nas carreiras de bandas como "Joy Division", "New Order", "Sex Pistols", "Durutti Column"…
Em primeiro plano é visível, quase a desaparecer pelo lado direito da imagem, um carro amarelo… talvez um taxi.
Mas a parte principal do boneco consiste na interacção entre o vocalista da banda e uma moça que percorre, decidida, o limite do passeio. Ele tirou respeitosamente o seu chapéu de abas da cabeça, e dirige à bonita transeunte ruiva de cabelos ao vento, uma vénia dedicada, enquanto continua a entoar para a assistência a letra da canção… Aparentemente indiferente a esta abordagem, ela segue o seu caminho, transportando à cintura, em jeito de homenagem/manifesto revivalista, o icónico walkman amarelo e azul repescado directamente dos anos 90 do século passado.
O cabo amarelo de áudio transmite aos seus delicados ouvidos a OST de "FlashDance"… é esse ritmo que lhe marca a passada e define o sorriso… a sua t-shirt ostenta, cravadas em lantejoulas, duas palavras que a definem, a ela, e em particular ao seu estado de alma neste dia – MISS MUSIC…
A impressão e aplicação estiveram a cargo da fantástica OCYAN.
Friday, June 21, 2019
[ Bela, a rainha má # 9 ]
"Mas um facho do sol de Maio, esgueirando-se pelas
nuvens cinzentas, veio fender o cristal do caixão onde eu
jazia. Saído da bruma, avançou ao meu encontro o príncipe
de sempre, guiando pela arreata uma égua branca, de crinas
que varriam as violetas do chão. Beijou-me os lábios,
correu-me o sangue nas veias, e respirei na vida que ao
meu corpo voltava."
Thursday, June 13, 2019
[ Bela, a rainha má # 8 ]

"E ali fiquei, sujeita às neves eternas que me secavam
as entranhas. Em meus sonhos perpassavam punhais, e uma
maçã num espelho. Sete anões avançavam do fundo da treva,
bufando de cólera, rebolando-se de riso, e a esguichar
imundícies pelo buraco de trás. Não cessavam as gralhas de
voejar, ensombrando-me o rosto quieto, e mais rosadinho do
que nunca, debaixo da tampa que me cobria."
que nunca, debaixo da tampa que me cobria."
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