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Tuesday, January 8, 2019

The Girl who Played with Fire #3



Com três leves toques de biqueira da sua bota direita, a criança pede a atenção de seu pai…
"… e depois despeja-lhe o destino por cima."

Lisbeth Salander e o seu progenitor não se cosiam… 
Percebe-se, certo?
O senhor não era propriamente a pessoa mais amistosa do mundo. A relação paternal não tinha no carinho o seu sentimento predominante, a sua característica mais evidente. 
Além disso, a forma como o pai tratava a mãe (essa sim, uma pessoa muito querida por Lisbeth), também não ajudava ao estreitamento da relação entre filha e pai. As agressões constantes, físicas e verbais, a sabotagem emocional... a simples postura de dominação permanente, total, incontornável… 


O animal tinha a família bem presa por trelas curtas, com picos e estranguladores.
De tempos a tempos, um bom puxão para pôr tudo em sentido, hmmmm…

Até hoje.
... hoje a sua atitude mudou... 


O natal é para mim uma altura de afrontamento profundo perante a quantidade de amigos e conhecidos que me relatam desavenças sérias, incompatibilizantes, e frequentemente insolúveis, com determinados familiares. 
… e digo, de afrontamento profundo, porque valorizo imensamente a fórmula do natal passado em união familiar, em construção activa de um ambiente de harmonia, e afectuosa partilha intergeracional. Para tal contribui certamente o facto de ter eu sido abençoado com a experiência disso mesmo – na pele, e em todas as camadas existentes da pele até ao coração – desde os serões de preparos culinários que atecediam a noite de 24, até ao desmontar do tripé de apoio que sustentava a árvore de natal, antes de esta ser enfiada, toda dobradinha e enrolada em cartão e cordeis, até ao natal seguinte, no armário do corredor, por cima do roupeiro grande.
Pois então amigos e conhecidos relatam-me que os seus natais se encontram mutilados por estas desavenças com os tais "determinados" familiares, AOS QUAIS, estão "unidos" genéticamente com maior ou menor proximidade, mas DOS QUAIS, se encontram afectiva e socialmente afastados, com diferentes graus de distanciamento.

Um somatório de tristes descarrilamentos nas linhas da vida de um mar de gente, 
… frequentemente para sempre.

Mas estas considerações sobre os paralelismos e as interceções, as tangentes e as secantes dos traços da genética, querem mesmo é conduzir este texto, de forma subtil e dissimulada, às temáticas fracturantes da actualidade.


Deus, Pátria e Família

Então... por ordem inversa, pela lógica do encadeamento com o que já foi escrito sobre diferentes dinâmicas familiares. 
A "família" soante nos discursos destes novos ventos políticos do mundo conservador não promete futuro. 
Promete sim retrocesso… retroceder de rastos. 
"Família" não é coisa que se imponha à força do discurso político. "Família" cultiva-se com muito cuidado, carinho e dedicação, e só está, e estará acessível, a muito poucos bons jardineiros. 
Quando calhar nascer estragada não será por decreto de campanha que vai vingar e tornar-se unida saudável e luminosa. Não se impõe a nações através de discursos absolutistas.
"Família" no entrelinhamento destes manifestos soa a família que se mantém junta nem que seja à pancada… e essa… queremo-la nós saudávelmente separada.

Mas este discurso tem mesmo grandes planos é para as suas amadas pátrias.
Curiosamente, todas as pátrias que subscreverem estas políticas deverão rápidamente (segundo as aspirações dos seus oradores) ascender ao lugar primeiro na Nova Ordem Mundial…
mmmmm… mas será ex aequo???
… mas para isso será necessário passar um pouco ao lado da noção de que, na realidade, a solução dos grandes problemas da humanidade passa mesmo é por mais concertação, articulação, partilha e nivelamento inter/nacional, como forma de sanar assimetrias brutais de diferente índole, inerentes a factores naturais, ou criados pelo homem, que condicionam negativamente o desenvolvimento de uns, e favorecem injusta e positivamente o desenvolvimento de outros… (a título de nota é de recordar que a vida no planeta está à beira do colapso, em contagem decrescente acelerada, dependendo a sua sobrevivência da resolução urgente e concertada, de alguns desses problemas inter/nacionais).

Mas o primeiro alicerce obrigatório deste discurso é Deus
O que não deixa de ser curioso porque normalmente este discurso também assenta em políticas sociais e económicas que estão longe de ser as mais integrativas, niveladoras e equitativamente distributivas. Se a relação entre estes dois pilares (Deus e política) não for evidente, recomendo humildemente a leitura do best seller internacional (e porque o ocidente conservador está historicamente conotado com as religiões Cristãs), chamado Novo Testamento – querendo uma versão reduzida, poder-se-á, sem grande penalização para a assimilação da essência da mensagem, optar apenas por qualquer um dos relatos de um dos 4 apóstolos – mais uma vez humildemente, recomendo… João.

A associação destes três conceitos à fundamentação de algumas opções políticas da actualidade, não nos vai conduzir à realidade que precisamos desesperada e urgentemente de alcançar no futuro (próximo), e é mais adequada ao discurso de um museu de antropologia do que a um parlamento nacional do mundo civilizado.
Há que acordar... rápido.
Enquanto tijolos nas paredes da democracia temos o direito e a obrigação de andar informados. Brevemente seremos chamados a participar de grandes decisões, e, se não estivermos bem informados, seremos  vulneráveis peões nas mãos de manipuladores hábeis e dissimulados... Isso já aconteceu... muito perto de nós e há bem pouco tempo.
Por aproximadamente 6 EUR por mês, é possível assinar digitalmente um jornal generalista diário, e assim cimentar, ou construir opiniões, e simultâneamente ajudar a sustentar activamente uma fonte de jornalismo credível e independente, base de uma democracia sólida e saudável.
Há que fazê-lo, por favor, agora…

Friday, December 28, 2018

Dezembro 2018 _ durante a "Grande Aceleração" do "Antropoceno"



Aproxima-se mais uma daquelas metas que estabelecemos como importantes na contagem do tempo. Nos últimos 5 ou 6 dias as noites tiveram mais ou menos a mesma duração. A partir daqui os dias recomeçam a crescer. Daqui a dois mesitos as temperaturas começarão a aumentar de forma evidente e num saltinho parecerá ser verão antes do tempo, novamente.
Mas aqui, de onde estamos no calendário, celebramos a passagem de mais uma ano.
Um ano, no curto espaço de tempo disponível para a mudança urgente, é muito tempo.
A somar à evidente enorme incapacidade/indisponibilidade para vermos as coisas pelos olhos dos OUTROS, com reflexo no avanço dos ideais extremistas e da intolerância no mundo ocidental, soma-se agora outra evidência comportamental… a incapacidade de vermos as coisas pelos NOSSOS próprios olhos.
O objectivo climático global dos 1.5° Celsius, ou até o horizonte de 2° Celsius (que fará vários parâmetros problemáticos quase duplicarem de gravidade em relação ao objectivo de 1.5°C) começa a parecer uma miragem inalcançável… e as miragens são fenómenos típicos das travessias de desertos tórridos.
Se constatarmos mesmo que o que queríamos ser a realidade, não passa afinal de uma miragem inatingível, será um muito mau sinal, e dirá algo trágico sobre o panorama em que nos encontramos nessa altura.
Mas por agora… está aí o Réveillon, as galas finais de importantes programas televisivos com forte impacto na sociedade, os saldos em grandes e pequenas marcas, e várias excelentes oportunidades de aquisição de bens. Importará também saber quem passou o ano onde, e com quem… e o que tinha vestido… e quais as antevisões para o próximo ano em várias áreas importantes – Quais os carros novos que as marcas vão libertar neste próximo ano, os aguardados upgrades à playstattion, e ainda os novos modelos de telefones da Samsung – 2019 promete ser revolucionário.

Sunday, December 16, 2018

The Girl who Played with Fire #1






O universo da versão americana do filme The Girl with the Dragon Tatoo (série Millennium – Stieg Larsson), habitou espalhafatosamente o meu imaginário durante as semanas seguintes ao seu visionamento.
Nos tempos que se seguiram, de tão fantástica que tinha achado a fórmula do primeiro filme, desejei ardentemente a vinda de um segundo, de continuação, realizado por Fincher, e, com os mesmos actores principais, Rooney Mara e Daniel Craig.
Fiz várias incursões à internet profunda à procura de notícias, indícios ou até leves rumores que fossem, do mais pequeno sinal de que tal iria acontecer. A cada pesquisa sem sucesso era confrontado com uma realidade incompreensível e difícil de aceitar – não fazia sentido.

Sempre gostei de filmes bons em que "se faz justiça". No The Girl with the Dragon Tatoo de Fincher fiquei fascinado com vários aspectos. As personagens, os ambientes, a caracterização, a cinematografia… e a forma brilhante como aquela fantástica moça franzina, de personalidade magnética e habilidades multi-facetadas, distribui "justiça" por vários quadrantes… Uau, que carisma.
É de facto lamentável que todo aquele potencial criativo materializado naquela equipa, não tenha transbordado para mais um filme. Ainda hoje tenho dificuldade em aceitar.

Quando a Patrícia Reis e a Sara Fortes da Cunha me falaram na ideia de trabalhar sobre a personagem de Lisbeth Salander para o tema Fogo da Egoísta achei imediatamente fantástico. Maravilha.
Os três partilhamos o fascínio pela personagem principal.
Estavam focadas no episódio em que a pequena Lisbeth incendeia o pai (relação com o tema da edição), narrado no livro com o sugestivo título The Girl who Played with Fire que adoptámos para título da nossa BD. Tudo acontece após Lisbeth encontrar a mãe caída no chão, debilitada para o resto da vida, após mais um episódio de violência física extrema protagonizado pelo pai…
Ia fazer-se justiça…
Na sequência deste episódio é que Lisbeth fica em maus lençóis com a lei, e vê a sua vida assombrada pelo rastejante agente de controlo, nomeado pela segurança social, no peito do qual ela vem legitimamente a tatuar – "I'm a sadistic pig, a pervert and a rapist".
A Patrícia construiu engenhosamente a narrativa de forma a que a jovem Lisbeth, ainda criança na estória original, apareça na nossa versão no corpo de uma adolescente com outra capacidade física – Lisbeth menina, atormentada pelo dia-a-dia de terror imposto pelo pai, sonha com esta cena visualizando-se a si própria já mais velha.
Esta estrutura narrativa permite assim também, a adopção de toda a fascinante caracterização de que a Sara foi consultora. As pinturas faciais, as pulseiras, o colar, os piercings, as tatuagens etc.
Obrigado a ambas por deixarem para mim a fantástica tarefa de cozinhar livremente com todo este património de ingredientes fascinantes.

Gosto muito da frieza visual dos dias nublados da europa do norte. Muito possivelmente porque moro num país de clima temperado, que permite os primeiros mergulhos no mar por volta de Fev/Mar e os últimos em Out/Nov… Mas, que gosto, gosto…
Mesmo neste país de clima temperado, não só não dispenso, como recomendo vivamente, a experiência de um passeio às entranhas selvagens dos caminhos enlameados da serra, numa boa tarde nublada e chuvosa – com máquina fotográfica, e, roupa e calçado impermeável como notas de rodapé (se esse programa for seguido de um chá quente com queijadas regionais terá tudo para ser recordado por muito tempo) ; )
A ausência de sol nivela e harmonisa as cores, potenciando boas conjugações cromáticas. Tudo é coberto por uma suave velatura azulada.
Essa luz azul e fria apresentou-se logo nas primeiras imagens que me vieram à cabeça. Em todos os desenhos existe uma dominante cromática que me agrada muito.

*

Lisbeth avança em direcção ao carro. O que tenciona fazer não resulta de um plano elaborado… não… é mais a resposta física que é possível  ao seu corpo franzino naquele momento. A escolha das ferramentas de acção foi decidida em breves instantes, e em função do que havia à mão, mas a capacidade destrutiva que a orientou foi adoptada por indução de anos intermináveis vendo a sua mãe ser espancada…
literalmente a assistir… sem nada poder fazer.
Enquanto estreita a distância que a separa do monstro não quer que o seu olhar a denuncie nem o provoque.… olha para o chão… e esconde atrás de si a gasolina e os fósforos. É fundamental o efeito surpresa.
A cada passo que dá, algo profundo em si questiona a sua determinação… mas algo mais forte a impele a acelerar… a ganhar balanço para saltar para o capôt e com apenas mais um passo alcançar o tejadilho.

Com três leves toques de biqueira da sua bota direita, a criança pede a atenção de seu pai…
"… e depois despeja-lhe o destino por cima."

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Saturday, September 29, 2018

Egoísta 65 _ Fronteira



A Egoísta 65 já anda por aí.
O tema desta edição é "Fronteira".

Para a capa da edição concebi uma ilustração fotográfica a partir de uma reprodução de um enquadramento d'A criação de Adão, pintada no tecto da Capela Sistina entre 1508 e 1512, por Miguel Ângelo, por encomenda do papa Júlio II. Trata-se da mão de Deus, descendo de dedo esticado sobre a mão de Adão, que lhe dirige também a sua mão, de baixo para cima. Quase se tocam.
Entre Deus e o homem, separando-os, corre uma fiada de arame farpado.
Esta ideia, vá-se lá saber porquê, assaltou-me por volta das 5 da manhã, quando, em condições normais, deveria estar ferrado a dormir...
Mas desta vez a insónia deu frutos ; )

A um punhado de matéria orgânica terrestre, o Deus (o do dedo esticado que vem de cima) adicinou um outro punhado... o de uma amostra da sua divindade.
Essa segunda componente consiste nos menos de 2% que nos diferenciam (a nós, os do dedo esticado que vai de baixo) dos macacos, e explicarão o aumento exponencial da área neuronal do nosso cérebro para aproximadamente o triplo da do nosso parente mais próximo na cadeia evolutiva.
Esta oferenda permitiu-nos, com o nosso cérebro seis a sete vezes maior do que deveria ser, tendo em conta a nossa massa corporal, em muito curto prazo, subjugar todo o planeta aos desígnios dos nossos caprichos, MAS, mais importante, permitiu também o florescimento moral que reforça a nossa distinção em relação ao resto da criação.
Essa componente permitirá, a longo prazo, aos sobreviventes do colapso da humanidade, virem um dia a tornar-se verdadeiramente membros da irmandade celestial universal – harmoniosa, iluminada e embebida em esclarecimento, compreensão e partilha do divino.
Esse futuro não terá fronteiras e estender-se-á além planetas.
Passámos a conhecer a bondade de, tendo que matar para comer, optar por fazê-lo infligindo o mínimo possível de dor. Intuímos a pertinência do agradecimento pelo sacrifício do ser vivo cujo consumo nos permitia a nós continuar a viver, a troco da sua morte.
Comovemo-nos perante a harmonia de coisas simples que, para todo o resto da criação, apenas existem, ou estão lá como cenário para a sua existência.

Ao longo da história pensámos muito sobre tudo isto, com a cabeça e com o coração.
Ao nível das relações humanas, essa vertente permitiu todo o rol de comportamentos e intenções que vão desde o cuidado extremo para com aqueles de que gostamos, até à instituição e estabelecimento de direitos e garantias daqueles que muitas vezes nem sequer conhecemos, e que para nós enquanto indivíduos, muito frequentemente só existem enquanto construção mental, mas cujo direito à dignidade plena reconhecemos, prezamos e defendemos. Acordámos e inscrevemos nos manifestos universais que a guerra, a violência, a traição, a inveja, a ganância, o ódio e a falta de compaixão são coisas más.
Apesar disso, as nossas acções são muitas vezes orientadas por raciocínios, sentimentos ou intenções contrários a estas verdades universais.
No longo caminho a percorrer pelo homem-macaco, da escuridão da caverna para a luz, tem havido, continua a haver, e haverá durante muito tempo, várias inflexões.
Algumas são demarcadas por fronteiras, muros e barreiras.
A cada uma delas afastamo-nos mais um pouco do dedo criador.

Todos os primatas mais próximos do homem-macaco (dos quais se destacam gorilas, chimpanzés e bonobos) possuem 24 pares de cromossomas.
Para nos fazer, o Criador lançou-se numa empreitada de fusão genética, e desse conjunto de 24 pares de cromossomas escolheu matéria prima e criou o nosso misterioso cromossoma nr 2. A estrutura dos cromossomas possui uma construção física diferenciadora naquilo que são os seus extremos (telémeros) e os seus "meios" (centrómeros). O cromossoma nr 2 do homem-macaco tem então a particularidade única de, além de ter "dois meios" (centrómeros), ambos deslocados do centro para os extremos (???), ter também, ao centro, estruturas que deveriam estar nos extremos (telémeros). Este facto indicia claramente a união de duas unidades inicialmente separadas.
Este malabarismo genético explica também o porquê de uma espécie mais desenvolvida ser, aparentemente constituída por, à primeira vista, menos material genético (menor nr. de cromossomas dos humanos vs maior nr. de cromossomas dos restantes hominídeos).
Este malabarismo genético é claramente instável. Para o provar, se não bastarem as mais de 4000 anomalias genéticas possíveis de ocorrer no homem (creio que record no panorama da criação), bastará contemplar a curta história do homem-macaco "civilizado" –  demonstração máxima e bem ilustrada da referida instabilidade.

Estará aí então a receita da nossa instabilidade fervilhante?
– 98% de primata violento
– 1 mão cheia de divindade
– bater bem num qualquer liquidificador genético até aparentar homogeneidade convincente
– servir ao mundo, e fugir dali o mais rápido possível

A tal instabilidade revela-se actualmente a vários níveis e em diferentes círculos do nosso presente patamar evolutivo – o dia-a-dia em 2018.
Enuncio alguns exemplos rápidos apenas com o objectivo de contextualizar o que acabo de referir:
- Não é possível criticar a discriminação em função de género, raça, orientação sexual, etc. e não dirigir sequer um cumprimento à senhora africana que está a limpar o hall de entrada do prédio, ou ao senhor eslavo que está a recolher tabuleiros na área de restauração do centro comercial em que ingerimos uma refeição, no momento em que este aborda a nossa mesa.
- Não se pode defender o acolhimento europeu de refugiados chegados às costas do mediterrâneo e simultâneamente ignorar o pedinte romeno que nos interpela na rua, não lhe retribuindo com uma palavra, não lhe dirigindo sequer um olhar.
- Continua a ser impensável alguém gabar-se de "grab'em by the pu**y"' e chegar a ser presidente do país mais influente do mundo.
- É impensável chegar a ser presidente do país mais influente do mundo e passar o seu mandato a tentar incendiá-lo (o mandato, o país, o mundo).
- É inacreditável que o equilíbrio climático esteja à beira do colapso irreversível e ainda se discuta se isso é ou não uma questão.

A perplexidade com exemplos de instabilidade evolutiva retirados da actualidade, em diferentes contextos e círculos, poderia continuar a manifestar-se ao longo de uma looonga lista que não cabe neste blog, nem tem em mim a alma mais habilitada a enunciá-la, e muito menos a construí-la.

Mas então a capa da Egoísta…

O homem-macaco estacou…
À sua frente o feixe de luz no horizonte… a continuidade da evolução social e espiritual chamando alto pelo seu punhado de divindade. A bondade, a compreensão e o entendimento como objectivos diários.
Mas de trás de si também o chamam. Atrai-o o furdunço... ele gosta do frenesim em bando... do cheiro do sangue por debaixo das unhas. Virando-se ligeiramente contempla pelo canto do olho, novamente, o fundo escuro da caverna de onde provêm os urros.
Ali, parado onde está, precisa de ajuda. Não sabe o que decidir. Vindo de cima, um simples toque iluminado bastaria.
Mas entre o plano superior e o seu, há uma fronteira – a da sua confusão intermitente que não abranda, e cuja assinatura em papel mais se assemelharia à de um electrocardiograma, cheia de altos e baixos assanhados, como farpas e anzóis sem rebarba…
– são farpas de metal enrolado, mais parecendo… arame farpado.